Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 20/07/2020
Conhecida como “o mal do século XIX”, a tuberculose acometeu diversos poetas da segunda fase do romantismo no Brasil. Dois séculos depois, para além de outros fatores, a disseminação do pessimismo persiste no cerne de outro “mal” que marca a modernidade: a ansiedade. Nesse sentido, o crescimento de casos dessa enfermidade é acompanhado pelos obstáculos em combatê-la, expressos na desinformação e na fragilidade das políticas públicas voltadas para o tratamento.
A princípio, observa-se que a desinformação acerca da ansiedade é reflexo da falta de discussões na escola e na família sobre o tema. Quanto a isso, a Lei de Diretrizes e Bases aponta que essas duas instituições devem preparar o indivíduo para a vida em sociedade. Nesse sentido, ao encarar a temática como um tabu, os pais e os centros educacionais acabam por não fornecer meios confiáveis para que os jovens possam reconhecer os sintomas da patologia. Dessa forma, contribuem para formar uma massa de adolescentes e adultos desinformados, incapazes de identificar tanto a presença do transtorno quanto as formas de resolvê-lo.
Outrossim, o limitado quantitativo de vagas para atendimento psicológico no setor público contribui para a problemática. De acordo com a Constituição Brasileira de 1988, o acesso aos serviços de saúde é um direito de todos os cidadãos. A prática, no entanto, revela que isso nem sempre acontece: a falta de centros específicos para o tratamento de transtornos psíquicos como a ansiedade gera uma superlotação pelas vagas. Assim, pessoas ansiosas têm de disputar atendimento com aquelas que possuem prolemas de outra natureza, como alcoolismo e autismo, por exemplo. Dessa forma, diante da grande procura, muitos acabam sem receber o suporte médico necessário de forma precoce e efetiva.
Depreende-se, portanto, que os obstáculos no combate à ansiedade precisam ser enfrentados. Para tal, as escolas e as famílias devem incentivar o debate com os jovens. Isso pode ser realizado por meio de palestras e aulas temáticas, nas quais psicólogos conversarão com alunos, pais e professores sobre as formas de prevenção, reconhecimento e auxílio à pessoa ansiosa. Além disso, os genitores devem mostrar-se abertos ao diálogo com os filhos, assistindo filmes sobre o tema e incentivando a autorreflexão. Assim, espera-se que essa população, além de bem informada, se sinta confortável para pedir ajuda caso identifique a presença de algum dos sintomas. Por fim, cabe ao Ministério da Saúde ampliar o acesso aos serviços públicos de psicologia. Tal medida pode ser realizada por meio de modificações na política pública de atenção à saúde mental, prevendo a construção de centros especializados para tratamento da ansiedade e doenças correlatas. Espera-se, assim, que o mal do século XXI possa ser superado.
Assim, considerando que a maioria dos casos de transtornos na saúde mental começa aos 14 anos, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde,