Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/07/2020

No filme “O lado bom da vida”, dirigido por David Russel, retrata a história de Pat Júnior que perdeu praticamente tudo -trabalho e casamento- devido às crises de ansiedade. Em paralelo à realidade, a obra exibe um dos maiores desafios da atualidade: o combate à ansiedade. Nesse sentido, nota-se que a falta de políticas públicas na saúde, bem como o preconceito da sociedade são os principais entraves para o tratamento desse transtorno.

De início, destaca-se que o enfadamento do sistema de saúde é um marcante dilema ao tratar esse distúrbio. Tal situação é muito comum em países nos quais o desenvolvimento ainda é algo precário, como o Brasil que, segundo a Organização Mundial da Saúde, é o mais atingido por essa patologia, o que é preocupante. Isso acontece porque o investimento monetário em áreas de saúde mental em unidades básicas municipais é de apenas 10%, de acordo com o Ministério da Saúde. Portanto, constata-se que o defasamento dos sistemas de saúde é promotor da ineficácia nesse tipo de tratamento.

Além disso, um outro grande corroborador inerente a esse problema é o preconceito existente na sociedade. Diante disso, é notório que o julgamento não traz consequências favoráveis, pois um indivíduo ansioso sofre em cenários que provoquem medo, dúvida e expectativa, o que é grave. Com isso, fica claro que, conforme Rousseau, mesmo o preconceito sendo parte de uma construção social inerente ao homem, esse pensamento retrógrado e desumano deve ser mudado, já que uma pessoa tem o direito à dignidade assegurada. Assim, é evidente que a empatia e o respeito são grandes aliados para esse transtorno ser tratado.

Por fim, fica esclarecida a necessidade de medidas eficazes tomadas baseadas nesses dois impasses para a ansiedade. Dessa maneira, é preciso que as Secretarias Municipais de Saúde amplie a distribuição dos investimentos federais, por meio de construções de centros de assistências psicológicas básicas, como o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), em diversas áreas, como as urbanas e ruais, a fim de uma maior eficácia na assistência no que tange a esse transtorno. Ademais, a sociedade deve esgotar esse pensamento preconceituoso sobre as pessoas ansiosas, por meio de ações promovidas pelas Secretarias de Assistências Sociais em espaços de grande fluxo de pessoas, a exemplo de palestras em escolas com a presença de psicólogos, com finalidade de mitigar essa crítica diante desse distúrbio tão sério. Isto posto, observa-se a grandiosa precisão de práticas que desmistifiquem o que realmente é a ansiedade e demonstrem que indivíduos como o Pat Júnior não precisam de julgamentos, mas sim de apoio e respeito para entender o lado bom da vida.