Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
“Evangelion”, desenho japonês conhecido mundialmente, narra a estória de um grupo composto por adolescentes com diversos distúrbios mentais. Nesse contexto, tem-se o personagem principal da obra, denominado “Shinji”, que manifesta sintomas de ansiedade crônica e depressão. Apesar do lapso ficcional da obra com o Brasil, ambos demonstram o mesmo problema psicológico, uma vez que, de acordo com a OMS, vários brasileiros estão com a sintomatologia da ansiedade, por exemplo, a insônia e taquicardia. Tamanha problemática possui dois desafios principais: o preconceito e a precariedade do sistema de saúde.
A priori, o escasso conhecimento sobre a ansiedade é uma das causas basilares para que o combate dela seja dificultado na sociedade brasileira. Nesse viés, percebe-se a visão de “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt, a qual exprime que a execução de comportamentos humanos arcaicos, de forma repetitiva, faz com que eles se tornem aceitáveis e enraizados na civilização. Em convergência com a teoria da pensadora, observa-se a manifestação dos antigos “tabus” acerca do tratamento da ansiedade, visto que, apesar dos inúmeros avanços na medicina terapêutica- como a criação de drogas menos viciante-, ainda é perceptível o medo e insegurança das pessoas ao buscar ajuda médica, segundo o médico Drauzio Varella. Dessa forma, o número de indivíduos que procuram tratamento diminuí e, portanto, o crescimento dessa mazela mental é favorecido e acentuado.
A posteriori, a péssima condição das casas de saúde, por exemplo, os hospitais públicos, são o outro motivo para que a ansiedade cresça no Brasil. À luz disso, observa-se a série, baseada em fatos, “Sob Pressão”, a qual mostra a terrível situação do Sistema Único de Saúde (S.U.S.), a saber, a falta de psiquiatras, a superlotação de leitos e a escassez de medicamentos psicossomáticos. É perceptível, então, o descaso governamental, haja vista que a criação de um ambiente saudável e satisfatório para o tratamento desse distúrbio fica impossibilitada diante de tamanho cenário catastrófico. Desta feita, o Estado tupiniquim rompe com os preceitos da Constituição Cidadão, pois não promove um serviço de saúde igualitário, eficiente e respeitável para a cura desse distúrbio.
Destarte, é necessário a adoção de medidas para mitigar os desafios no combate à ansiedade. Para tanto, é mister que o Ministério da Educação promova a divulgação de informação sobre essa doença, mediante a realização de atividades didáticas atreladas à faixa etária, por exemplo, a produção de livros ilustrados, com o escopo de incentivar a realização das consultas médicas. Ademais, urge que o Ministério da Saúde melhore a realidade do S.U.S., por meio da construção de um leito específico para a ansiedade, com o desígnio de fornecer um ambiente propício ao tratamento dessa mazela.