Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 23/07/2020
Durante o século XIX, O pintor holandês Vincent Van Gogh, externava nas obras artísticas suas oscilações mentais, que constantemente eram incompreendidas pelos indivíduos ao seu redor, independente da forma que as expressava, e os tratamentos eram ineficientes. Apesar da distância regional e temporal, hodiernamente, grande parte da população brasileira, assim como o artista, sofre com transtornos de ansiedade. Embora, haja toda uma inovação decorrente dos séculos, ainda é um desafio combate-la, seja pela falta de formação individual para lidar com uma “modernidade líquida”, ou seja pela rotulação identitária, que contribui para o impasse.
Em primeiro plano, os indivíduos não são formados para lidar com o dinamismo moderno e o grande gatilho vigente para despertar a ansiedade é justo a alta instabilidade, seja nas relações individuais, públicas ou econômicas. Prova disso, são as idéias do filósofo polonês Zygmunt Bauman, o qual afirma que atualmente os cidadãos vivenciam “tempos líquidos”, ou seja, uma modernidade em constante mudança. Assim, a não desenvoltura da aptidão individual de evitar crises constantes, faz com que os brasileiros tenham gradativamente mais crises, visto que essa doença incapacitante afeta diretamente a força de trabalho pessoal, consequentemente, seu quadro econômico, e suas relações coma a coletividade, o que culmina em pressão externa e aumento da desigualdade social.
Em segundo plano, apesar de haver medicamentos eficientes para o combate à ansiedade, ainda há uma imprecisão nas explicações sobre o seu tratamento. Visto que, a massa social costuma taxar os indivíduos que sofrem com esse transtorno de doentes, que apenas podem ser ajudados por medicamentos, quando, na verdade, apoio e empatia seriam mais eficazes. E nesse sentido, o filósofo pós estruturalista Stuart Hall, afirma que o sujeito inserido na modernidade é dotado de múltiplas identidades, assim, rotula-los com apenas uma, equivale a viabilizar a incapacitação das outras.
Portanto, diante dos desafios no combate a ansiedade na sociedade moderna, cabe basear-se nas idéias de Bauman, que diz que o que muda o mundo não são as crises, mas as relações dos indivíduos com ela, e mudar essas relações. Isso deve ser feito através de um projeto do ministério da edução, onde, primeiramente, haja a elaboração de uma lei que torne obrigatório nas instituições de ensino, aulas de autoconhecimento e relações pessoais, aplicadas por psicólogos, para que os estudantes aprendam e compartilhem o conhecimento de como evitar gatilhos para possíveis crises. Ademais, o MEC deve exigir também que os programas de TV e redes sociais disseminem informações sobre a ansiedade e seu tratamento,disponibilizando profissionais e patrocinando postagens que abordem o tema, para que haja mais auxílio prestado às pessoas com assiedade do que rótulos.