Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 20/07/2020

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito dos desafios de combater à ansiedade na sociedade contemporânea. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente às peripécias dos novos tempos, mas também à inoperância estatal.

De início, irrompida em meados do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe para a humanidade inúmeros avanços. Em conjunto com as inovações tecnológicas, as transformações das relações sociais se configuraram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Bauman, que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos da era moderna, todavia, são responsáveis, em sua maioria, por potencializar as denominadas doenças psicossociais, a exemplo, tem-se as redes sociais, que segundo a revista The Atlantic, o seu uso exagerado pode ter relação direta com o aumento exponencial de ansiedade e depressão. Posto isso, medidas devem ser adotadas com o intuito de reverter essa realidade.

Outrossim, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação à assistencialização aos indivíduos que sofrem com esses transtornos, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), os quais apontam que 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com a ansiedade, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.

Logo, para que o triunfo sobre os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea seja consumado, urge que o Ministério da Saúde, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova um amplo desenvolvimento nas alas de psiquiatria e psicologia do SUS (Sistema Único de Saúde), de modo a facilitar e ampliar o alcance do acesso ao tratamento das doenças psicossociais. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada de palestras públicas, ministradas por profissionais da área, com o intuito de informar os benefícios dos tratamentos e os malefícios do uso excessivo das redes sociais. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.