Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 29/07/2020

“O importante não é viver, mas viver bem “. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Entretanto no Brasil, essa não é a sua realidade, uma vez que o país não fornece suporte a pessoas com ansiedade e banaliza o seu tratamento. Com isso, ao invés de aproximar a prática descrita pelo filósofo da vivenciada por esses indivíduos, a falta de apoio da família nas questões psicológicas e a carência de educação emocional nas escolas acabam contribuindo para persistência do problema.

Em primeira análise, vale destacar como a ansiedade é tratada de forma trivial pelas famílias brasileiras. Apesar do transtorno ser muito difundido na sociedade, a falta de conhecimento sobre a doença ainda é perceptível na população, haja vista o preconceito que é propagado pelos pais em relação à busca de tratamentos para ansiedade. Além disso, a precoce interação com os filhos impede que o indivíduo peça suporte familiar, ao passo que prolonga a busca por terapias. Esse panorama pode ser explicado pela frase do poeta William Shakespeare: “sábio é o pai que conhece seu próprio filho”. Assim, a falta de apoio, juntamente com o distanciamento dos familiares, leva o cidadão à não buscar ajuda profissional, dessa forma, a tendência é que o quadro se agrave de forma gradativa.

Além disso, a educação emocional é de suma importância para a sociedade, uma vez que o individuo aprende a lidar com os próprios sentimentos. Hodiernamente, entretanto, essa matéria não se faz presente em todas as escolas brasileiras, por isso, os cidadãos possuem precoce inteligência socioemocional para confrontar os desafios do cotiano e desenvolvem diversos transtornos, destacando-se o de ansiedade. Como prova disso, pesquisas da OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmam que o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões (9,3% da população). Com isso, pode-se confirmar a famosa frase do filósofo Kant: “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, por essa razão, sem habilidades socioemocionais provindas de uma instituição de ensino, o combate à ansiedade no país será cada vez mais complexo.

Tendo em vista o que foi discutido, é necessário, portanto que medidas rigorosas sejam tomadas. Urge à família apoiar os filhos e encaminhá-los a um profissional qualificado, caso algum sintoma do transtorno for verificado, com o fito de minimizar as barreiras familiares e, dessa forma, proporcionar o suporte necessário para que o indivíduo se recupere. Visando o mesmo objetivo, o Ministério da Educação, deve incluir na  Base Nacional Comum Curricular, a matéria de educação emocional como norma das escolas do país, causando importante impacto na construção de uma sociedade com o emocional mais inteligente. Só assim, os indivíduos não apenas viverão, mas viverão bem.