Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 21/07/2020
Os transtornos ansiosos se caracterizam pela desarmonia na liberação de neurotransmissores responsáveis pela autodefesa do indivíduo, podendo ter como causa principal fatores externos - como estresse, preocupações, medos irracionais etc -, que funcionam como “gatilho” para o aparecimento de distúrbios químicos no cérebro. Isso posto, um recente estudo divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indica o Brasil como sendo um dos países mais acometidos pela síndrome ansiosa, podendo ser o reflexo de uma sociedade ainda detentora de preconceitos acerca da mencionada disfunção neural.
Em primeira análise, ao passo que o transtorno de ansiedade se dá por uma alteração na fisiologia do cérebro, é essencial que haja um prognóstico eficaz e confiável, a fim de possibilitar ao acometido, se necessário, uma terapia medicamentosa efetiva. Contudo, é observável que muitas pessoas ainda relutam quanto ao uso de medicamentos, com o discurso de que os fármacos podem causar sérios danos à saúde, como problemas na memória ou dependência química. De fato, o uso de remédios administrados de forma irresponsável pode gerar consequências irreversíveis à saúde, mas quando feito com o auxilio de profissionais qualificados, há grandes chances de readmissão do quadro ansioso, possibilitando uma melhora na qualidade de vida.
Ainda com relação às adversidades observadas no combate ao transtorno de ansiedade, vale ressaltar que fatores sociais implicam diretamente no funcionamento sadio do mecanismo humano de autoproteção. Em outras palavras, uma pessoa cuja vida é repleta de pressões diárias encontra-se mais suscetível à manifestação de sintomatologia ansiosa, ao passo que o sistema neurológico se sobrecarrega, ficando incapacitado de funcionar normalmente. Assim sendo, é essencial que o indivíduo avalie a fundo os motivos verdadeiros que o leva ao desenvolvimento do caráter maligno da ansiedade, com o objetivo de frear a angústia.
Em vista dos fatos mencionados, é mister que o Estado tome providências acerca dos paradigmas ainda existentes à respeito do tratamento da ansiedade, e que corroboram para a ineficiência do combate ao mesmo. Assim, urge que o Ministério da Saúde, junto a mídia televisiva, divulgue campanhas esclarecedoras à respeito da saúde mental. Paralelamente, sob a responsabilidade das instituições de ensino em parceria com a Unidade Básica de Saúde (UBS), deve-se desenvolver grupos de debate sobre essa situação, visando o desenvolvimento de uma sociedade livre de moldes errôneos acerca da referida patologia. Apenas assim será possível combater os transtornos ansiosos presentes à nível pandêmico na sociedade hodierna.