Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 21/07/2020
A vertente literária conhecida como Arcadismo pregava o bucolismo, isto é, uma vida de tranquilidade. Todavia, com a formação das zonas urbanas consequentes da Revolução Industrial, surgiu uma vida mais dinâmica. Nessa égide, várias pessoas passaram a desencadear transtornos psíquicos, como a ansiedade. Nesse sentido, tais transtornos tomam forma, seja pela acelerada vida nas cidades, ou pela pressão exercida sobre os indivíduos na hodiernidade. Por esses motivos, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa triste realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que, após a urbanização , desenvolveu-se uma rotina agitada, marcada pela influência do relógio, instrumento esse que passou a representar a passagem do tempo. Nesse viés, os indivíduos começaram a acumular tarefas diárias e, muitas vezes, não conseguiam cumprir tais atividades, desenvolvendo um estresse e, por conseguinte, uma ansiedade aguda. Nesse cenário, pílulas calmantes passaram a ser protagonistas das rotinas dos cidadãos modernos. Consoante a Hannah Arendt, o ser humano é biopsicossocial, ou seja, recebe influência biológicas, mentais e sociais para o desenvolvimento de determinados transtornos. Destarte, esse pensamento corrobora que a dinamicidade da vida urbana provoca impactos diretos nos sujeitos. Nesse contexto, enquanto medidas não forem adotadas, o mundo nunca atingirá o progresso.
Faz-se mister ressaltar, ainda, que, muitas das vezes, as famílias, ou até os próprios indivíduos, cobram-se muito a respeito do alcance do sucesso. Sob tal ótica, concluem que sempre precisam ser bem sucedidos e, todavia, quando esse fato não ocorre, eles ficam frustrados e não conseguem lidar com o fracasso. Nesse óbice, esses cidadãos passam a desenvolver uma depressão, marcada por uma ansiedade constante. Parafraseando Platão, o importante não é viver, mas viver bem. Contudo, o que se vê é o aumento do índice de transtornos psíquicos advindos da ansiedade, afastando, a cada dia, o bem-estar. Logo, uma mudança precisa ser insuflada com veemência.
Sob o olhar físico de Isaac Newton, um corpo só consegue sair da inércia se uma força lhe for apicada. Portanto, urge uma parceria entre as escolas e as famílias, que desmistifiquem o tabu social da ansiedade e criem meios de incentivar os alunos a discutir sobre essa temática, por meio da inserção do estudo desse transtorno em currículo escolar, contratando psiquiatras e psicólogos para debates e workshops mensais, que tenham os pais como plateia, com o fito de incentivar o diáogo em casa e promover uma vida mais saudável e tranquila para as gerações futuras. Assim, o bucolismo árcade poderá ser visualizado até em áreas urbanas.