Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 27/07/2020

Os seres humanos são competidores por natureza. Todos buscam o seu bem-estar, que inevitavelmente depende de recursos que não são franqueados a todos. Naturalmente, este ambiente tão competitivo acaba por gerar como um de seus principais sintomas o transtorno de ansiedade. Combater este problema constitui-se em um dos maiores desafios da sociedade contemporânea, especialmente no Brasil, cujo ambiente tem sido cada vez mais propício, dado à escalada do desemprego, da violência e de uma crise social que alçou o país, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, ao posto de país mais ansioso do mundo.

Todavia, nem sempre a ansiedade deve ser encarada como um problema, uma vez que da mesma forma que funciona como porta de entrada para doenças ainda mais graves, como problemas cardíacos, depressão e síndrome do pânico, é também um sentimento bastante útil para mensurar desafios e ameaças. Portanto, o diagnóstico preciso é de extrema importância no tratamento, posto que muitas vezes torna-se difícil definir quando a ansiedade vai além de um mero sentimento momentâneo, passando à condição de um transtorno a ser controlado, muitas vezes através de medicamentos.

Portanto, a busca pela solução do problema passa, inevitavelmente, por uma maior compreensão do mesmo. A sociedade atual é um palco perfeito para as chamadas doenças da mente. Nas últimas décadas o mundo do trabalho ficou cada vez mais exigente. A tecnologia trouxe as redes sociais, que nada mais são que um simulacro de mundo perfeito sempre buscando e nunca alcançado. Ainda assim, segundo o Conselho Federal de Psicologia, não é costume do brasileiro procurar esses profissionais. Diz a autarquia que mais de 80% só procura um psicólogo quando o problema já se encontra em um estágio avançado. A demora deve-se muitas vezes à desinformação e à falta de cobertura da maioria dos planos de saúde.

Decerto, a busca pela solução do problema da ansiedade na sociedade atual precisa passar não só por uma maior política de informação, mas também uma maior oferta de tratamento e assistência universal do Estado. Nesse sentido, é necessário que o Ministério da Saúde invista na valorização do profissional de psicologia, em campanhas educativas e programas de tratamento específicos para transtornos de ansiedade, para que o indivíduo venha a ter uma compreensão maior do problema e da importância de medidas preventivas como dormir bem e ter uma rotina de atividades físicas e acompanhamento psicológico adequado. Apesar de parecer uma majoração de gastos pelo Governo Federal, iniciativas como estas constituem-se em um importante investimento, visto que o Estado deixará de gastar no tratamento de tantas outras doenças, consequências do transtorno de ansiedade.