Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 23/07/2020

Segundo Émile Durkeim, psicólogo e sociólogo do século XIX, em sua obra O Suicídio, a partir das mudanças sociais ocorridas com o capitalismo e a revolução industrial houve um aumento de casos de  suicídio e ansiedade na Inglaterra, indicando, dessa forma, uma possível associação entre os fatores. Com o passa dos anos, os problemas psicológicos se tornaram cada vez mais evidentes e, segundo a Organização Mundial da Saúde, a população atual é a mais ansiosa da história da humanidade. Nesse contexto, torna-se importante evidenciar a relação dessa alteração psicológica com o capitalismo, além de apresentar os desafios para combatê-la.

O primeiro ponto que cabe ressaltar da temática é que o sistema capitalista visa o lucro e, nesse intuito, utiliza ferramentas que influenciam os indivíduos a se sentirem incompletos e a consumir. Isso é evidenciado na teoria da Indústria Cultural de Theodor Adorno, na qual ele afirma que a população é hiperestimulada diariamente, por meio de propagandas, com ideais de beleza e consumo e, dessa maneira, são influenciados a comprar. O problema é que tal comportamento se torna um ciclo vicioso e as pessoas criam uma sensação de insuficiência e insegurança que culminam na ansiedade. Para exemplificar, nos últimos 50 anos o padrão de consumo aumentou em 50%, enquanto os casos de ansiedade quase dobraram, segundo a  ativista e analista de desenvolvimento sustentável Annie Leonard.

Convém pontuar também que esses modelos de vida e ideais estéticos estão disseminados na cultura e dificultam o tratamento dos pacientes com ansiedade, visto que reconstruir a visão social que o indivíduo possui ao mesmo tempo que as instituiçõe sociais e a comunidade reiteram esses padrões de vida é um desafio problemático. Para o médico Drauzio Varela, essa consciência coletiva e imposição social de comportamento é o principal agravante para a ansiedade no mundo contemporâneo.

Torna-se evidente, portanto, que as ferramentas do capitalismo e da Indústria cultural podem levar a ansiedade e outros problemas psicológicos. Por isso, é importante que o Ministério da Educação, Órgão do Governo responsável pela manutenção dos direitos relacionados à educação no país, crie estratégias e programas com o intuito de preparar e amadurecer os indivíduos, desde os primeiros anos de escola, a entender e enfrentar essa cultura capitalista com maturidade; por meio de acompanhamento psicopedagógico dos alunos, debates sobre a influência do sistema vigente e da indústria cultural no comportamento e palestras sobre bem estar e padrões sociais,  a fim de educar e diminuir os danos do capitalismo no psicológico dos indivíduos.