Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/07/2020
A ansiedade é conhecida como o “mal do século XXI”. Esse transtorno psiquiátrico atinge cada vez mais pessoas ao redor do mundo, especialmente no Brasil, onde há o maior número de afetados por este mal, segundo estatísticas da OMS reveladas em 2019. Diante disso, é mister discutir os fatores que impedem o combate ao distúrbio. A maior parte dos desafios que as pessoas ansiosas e seus médicos enfrentam é de ordem social, sendo necessária uma reformulação do pensamento popular.
Primeiramente, é preciso compreender que existe mais de uma maneira de tratar a ansiedade. Além de medicamentos, muitas pessoas recebem a recomendação de fazer terapias e exercícios específicos, como meditação. Entretanto, na sociedade atual, terapeutas e psicólogos são considerados profissionais para casos extremos (“médicos de loucos”, no linguajar informal). Solange Zanata, coordenadora do curso de Psicologia da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), afirma que ainda existe um preconceito muito grande quando se fala de doenças e transtornos mentais, o que atrapalha o próprio tratamento. Ela diz que um dos efeitos mais importantes da terapia é o autoconhecimento que ela proporciona, e isso é algo de que todos precisam, com problemas graves ou não. Dessa maneira, entende-se que a sociedade precisa erradicar o tabu que existe em torno dos distúrbios psiquiátricos, criando um ambiente confortável para que todos tenham acesso ao tratamento.
Além disso, sabe-se que o mundo contemporâneo vive uma era de pós-verdade. O filósofo Zygmunt Bauman define esse conceito como o predomínio das opiniões e crenças pessoais sobre os fatos concretos. Isso significa que, cada vez mais, as pessoas deixam de acreditar em números e estatísticas e passam a reger sua saúde baseadas em suas próprias definições de verdade. Pode-se fazer um paralelo dos dias de hoje com a Revolta da Vacina ocorrida no Rio de Janeiro em 1904. Nesta ocasião, a camada da população com menos acesso à informação se recusou a tomar medicamentos que fariam bem para a sua saúde. Da mesma forma, percebe-se um crescimento de grupos anti-vacina e, à medida que o conhecimento é negado a muitos, cresce também o número dos que realizam a automedicação e ignoram as recomendações médicas. Esse é um problema gravíssimo que deve ser combatido com a difusão da educação.
Assim sendo, o Ministério da Saúde deve direcionar parte da sua verba para instituições e grupos de cuidado com a saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Além disso, as emissoras de rádio e televisão devem exibir mais propagandas relacionadas aos transtornos mentais, a fim de alastrar o conhecimento sobre o tema e erradicar os preconceitos existentes. Tais propagandas devem explicar como funcionam os tratamentos e os transtornos, e divulgar as clínicas devidas.