Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 27/07/2020

A acelerada modernização das principais economias do mundo no século XX, processo que hoje continua nos países em desenvolvimento, tem como uma de suas contrapartidas o afastamento do homem de suas condições naturais. Assim, é possível afirmar que o aumento no caso de transtornos mentais e de ansiedade tem relação com as condições de vida impostas pelo capitalismo avançado, e tende a se agravar nas economias emergentes.

Em primeiro lugar, é importante destacar que os distúrbios de ansiedade estão, via de regra, ligados ao desenvolvimento das economias. Mas se a modernização da sociedade é um processo irreversível, para compensar isso hábitos de vida saudáveis deveriam ser estimulados, incluindo diferentes formas de controlar os níveis de stress. Entretanto, cabe destacar que a saúde pública, no Brasil, não está orientada para isso. Assim, os Centros de Atenção Psicossocial são poucos, com déficit de funcionários e, com exceções, orientados para a medicalização, que apesar de sua importância, acaba sendo um paliativo.

Em consonância isso, dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que o investimento destinado à Saúde Mental representam 2% do orçamento de saúde do país, e que dessa porcentagem, 60% se destina a hospitais psiquiátricos. Essa distribuição implica na falta de atendimento adequado para pacientes que apresentem quadros que pareceriam mais leves, senso comum, como a depressão e a ansiedade. Em contra partida, a OPAS indica que uma maior alocação de recursos em centros de atenção primária incentivaria a busca precoce por atendimento em Saúde Mental, aumentando as chances de recuperação.

Portanto, uma medida que poderia ser implementada para amenizar a situação é a substantiva ampliação e melhoria dos CAPS, que passariam a ser em número e com quantidade de profissionais suficientes para atender a população de forma satisfatória, mesmo em pequenos municípios. Além disso, seria importante estabelecer uma configuração que ampliasse o protagonismo de psicólogos, arteterapeutas, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais nesses núcleos. Ambas mudanças deveriam ser promovidas pelo Ministério da Saúde, que precisaria disponibilizar recursos e logística para tal. Em conjunto, elas possibilitariam uma melhor orientação dos brasileiros no sentido de cuidarem da saúde mental de forma preventiva, evitando a medicalização excessiva que acontece hoje, fruto do distanciamento entre psiquiatra e usuário.