Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 26/07/2020
A frase latina “mens sana in corpore sano”, traduzida para “mente sã num corpo são”, provém do grego considerado “pai da medicina”, Hipocrátes, cujo célebre pensamento delineia a ideia de saúde como um estado de homeostase entre mente e corpo. Não obstante da Grécia Antiga, a sociedade contemporânea brasileira encontra diversos obstáculos para a construção deste equilíbrio, sendo a ansiedade a barreira mais proeminente. Consequentemente, é preciso combater os desafios que esta doença emocional carrega, que decorre, sobretudo, do tabu que a acompanha e do desamparo governamental.
Em primeira análise, é notável que a mitificação que cobre a problemática desfavorece o real conhecimento sobre os fatores necessários para tratá-la, além da criação de um conceito prévio e inverossímil desta. Segundo teóricos do determinismo geográfico, o homem é produto do meio, sendo fruto do que o ambiente ao seu redor possui para ofertá-lo. Em contrapartida, pode ser observado o ideal em prática ao perceber o demasiado preconceito que a comunidade brasileira detém com a crise de ansiedade que assola o Estado; muitos indivíduos recusam tratamento com medo de serem erroneamente julgados como “loucos” e têm receio de admitir seu diagnóstico publicamente. Logo, enquanto o meio promover um véu de ignorância, o produto será de indivíduos que não têm sua cidadania respeitada.
Em segunda análise, é evidente que tal venda é alimentada pelo desinteresse do poder público de educar e ajudar a população em referência a esta dificuldade. A Lei da Inércia, elaborada pelo brilhante cientista Isaac Newton, discorre que um corpo tende a permanecer em repouso até que uma força atue sobre ele. Paralelamente, é possível afirmar que a ausência de mecanismos legais favorecem a permanência do problema, uma vez que faltam as “forças” da conscientização do senso comum, de tratamento adequado e de profissionais especializados para que o “corpo social” possa se mover em direção ao progresso.
Portanto, a transformação desse quadro se dá de forma clara e inequívoca: O Ministério da Educação deve conscientizar precocemente a população, acrescentando a temática de doenças emocionais no conteúdo programático estudantil, a fim de que os jovens conheçam as mazelas da ansiedade e as buscas que devem ser feitas para o tratamento. Acrescenta-se também as atividades do Ministério da Saúde, que deve promover consultas gratuitas em associações de moradores semanalmente, por meio de psiquiatras, psicólogos e médicos, para que todos tenham facilidade de acesso. Somente assim, o princípio hipocrático poderá, enfim, atingir a sua harmonia.