Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 27/07/2020
Diante das inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cumpre ressaltar os transtornos envolvendo a ansiedade, uma vez que esse cenário é corroborado devido à necessidade dos indivíduos de produzir incessantemente alto rendimento e do estímulo exagerado advindo das mídias. Para tanto, urgem atos mais enérgicos tanto da sociedade civil quanto do Poder Público, tendo o escopo de amortizar essa situação da realidade dos indivíduos.
Nessa perspectiva, é fulcral analisar a produção perene de rendimento de excelência como um fator desencadeador de ansiedade, em função da cobrança exacerbada sobre si . Essa conjuntura foi analisada pelo filósofo contemporâneo Byung Chul Han, pois disserta em sua obra ‘A Sociedade do Cansaço’ acerca dos objetivos estabelecidos pelos indivíduos e na importância atribuída por eles na produção constante de altos rendimentos, principalmente, no âmbito profissional. Ademais, constata-se que tal realidade pode fomentar o desenvolvimento de transtornos psicológicos, como a Síndrome de Burnout - caracterizada pelo total esgotamento físico e mental- e considerada uma das doenças do século XXI. Logo, é fundamental que ações sejam executadas, objetivando reverter esse imbróglio.
Ainda nessa mesma perspectiva, torna-se importante ressaltar o intenso estímulo das mídias ao consumo como um fator que pode favorecer a ansiedade. Nesse sentido, é possível relacionar o apelo das propagandas publicitárias com a Escola de Frankfurt, já que segundo Adorno e Horkheimer, elas não só homogeneízam os desejos, mas também inibem o senso crítico dos cidadãos, o que consequentemente favorece o consumo desenfreado. Ademais, a falsa necessidade de certos itens em concomitância ao baixo poder de compra, muitas vezes, leva ao quadro de ansiedade e em casos mais extremos ocasiona o isolamento social em razão do escasso sentimento de unidade social. Assim, é essencial que os órgãos formadores de opinião atuem enfaticamente, visando reverter esse impasse.
Portanto, é perceptível a importância da realização de intervenções em prol da valorização da saúde mental. Para isso, faz-se fundamental que a sociedade civil em consonância com o Poder Público, por meio do Ministério da Saúde e da Educação, promova mesas-redondas periódicas em instituições educacionais, sendo ministrada por profissionais qualificados, como psicólogos, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares, bem como o desenvolvimento de campanhas em redes sociais de amplo alcance. Tais ações possuem o fito de esclarecer acerca da necessidade da saúde mental, assim como alertar sobre gatilhos que possam favorecer a ansiedade seja pelo trabalho excessivo, seja por desejos inalcançados. Apenas assim, poder-se-á consolidar uma realidade em que a ansiedade perca protagonismo e negue a teoria do ilustre sul-coreano Byung Han.