Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 28/07/2020

“Que maravilha seria se ninguém precisasse esperar um único momento para melhorar o mundo”. Essa era a visão de vida perfeita idealizada por Anne Frank, ao escrever seu diário em Amsterdam, pouco antes do final da Segunda Guerra Mundial. No contexto atual, porém, a realidade brasileira distancia-se desse cenário dos sonhos, uma vez que há grandes desafios em relação ao combate da ansiedade. Isso se deve à ineficácia estatal aliada à omissão da sociedade, o que urge por mudanças.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a falta de atitude do governo está interligada com as dificuldades no combate da ansiedade na sociedade atual. Essa correlação fundamenta-se no fato de que com o aumento do desemprego, por exemplo, houve a ampliação da competitividade e da sobrecarga população para a constante qualificação do trabalho, a fim de garantir o emprego formal. Nesse sentido, a insegurança trabalhista mixada à sobrecarga de tarefas é um fator que colabora para a intensificação da ansiedade na sociedade contemporânea-não é à toa que o Brasil é considerado, pela Organização Mundial da Saúde, o país mais ansioso do mundo.

Além disso, sob ótica sociológica, vale destacar que a omissão da sociedade é outro fator que está intrinsicamente ligado com o aumento da ansiedade brasileira. Isso fica evidente na fala do jurista Márcio Brava que declarou, em entrevista à Revista Le Monde Diplomatique Brasil, que a intensificação dessa problemática reside na falta do esclarecimento social acerca desse tema, o que faz com que a maioria da sociedade não compreenda a seriedade da ansiedade e cause ainda mais prejuízos com quem sofre com esse transtorno. Dessa forma, parafraseando Paulo Freire, se o conhecimento sobre a ansiedade não for responsável pela mudança social, tampouco, sem ele, a sociedade muda.

Portanto, a fim de mitigar esse problema, é imperativo que o Governo Federal, por intermédio dos impostos arrecadados nos grandes centros urbanos, além de parcerias com as redes privadas, incentive o aumento de empregos formais para os cidadãos brasileiros, mediante a carteiras assinadas que regularize e garanta uma segurança no trabalho formal. Paralelamente, é importante que as mídias, por meio de debates televisivos acerca da ansiedade-com experiências reais, conscientize a população sobre a seriedade desse transtorno, mostrando os benefícios sociais com a efetiva atuação da sociedade na quebra de tabus em relação a quem sofre com esse transtorno. Agindo assim, uma sociedade mais justa será formada para ação e benefício de todos.