Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 05/08/2020
Segundo o historiador Yuval Noah Harari em seu livro “Sapiens”, nos últimos 100 anos, a evolução tecnocientífica avançou mais do que em todos os milhares de anos anteriores. Nesse cenário surgiu a geração millennial, nascida a partir de 1980 e criada no meio dessa evolução, na qual há compressão do tempo e bombardeio de informações. Por conseqüência desses fenômenos o mundo vive uma crise de ansiedade generalizada que esbarra em dois desafios principais: o despreparo psicológico dos indivíduos para lidar com pressão e o tempo, além da insuficiência do estado em oferecer cuidados com saúde mental para toda sua população.
Diariamente, o indivíduo contemporâneo é cobrado pela cultura de produtividade para sempre trabalhar, estudar e realizar mais. Segundo a OMS, 33% da população mundial sofre de ansiedade. Isso decorre do mercado profissional se demonstrar cada vez mais competitivo e privilegiar os trabalhadores “workaholic”, isto é, viciados no ofício. Tais aspectos culturais ligados a quantidade de informação levada ao povo diariamente através de seus computadores, smartfones e tablets, acarretam uma geração extremamente acelerada, ansiosa e com medo de ficar atrasada no progresso.
Não obstante ao tão comum problema de saúde pública, o Estado ainda não entrega a devida atenção a tal transtorno psicológico. Enquanto as classes altas podem contar com ajuda de psicólogos e psiquiatras da rede privada, as classes mais baixas enfrentam meses de espera na fila do SUS. Por conseguinte, os menos privilegiados demoram tanto para serem consultados que quando chega o momento já estão muito piores que a princípio. Ademais, para muitos desses pacientes seriam necessárias consultas semanais, o que não ocorre no sistema público devido à sobrecarga dos profissionais.
Mediante o exposto fica claro necessidade de uma solução urgente para tais desafios. Para isso o Ministério da saúde deve agir em duas frentes. Em primeiro plano, precisa organizar propagandas em tevês, outdoors e pôsters para ressaltar que a ansiedade é uma doença que precisa ser combatida, e não um aspecto positivo do profissional. Em segundo plano, a gestão financeira do SUS têm de criar postos de atendimento psicológico e psiquiátrico por todo o Brasil para o atendimento de pacientes menos afortunados. Dessa forma, O país irá melhorar a saúde pública do coletivo e a qualidade de vida do indivíduo.