Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 14/08/2020
Foi dado ao Brasil, em 2017, pela Organização Mundial de Saúde, o título de “país mais ansioso do mundo”, o que deveria ter despertado grande preocupação. No entanto, nenhuma medida foi tomada na época, e, em 2019, o país permaneceu ocupando a mesma posição no ranking, com mais de 9% da população convivendo com este transtorno. Ao analisar as razões da pertinência deste problema, são contemplados fatores como, a carência de políticas públicas de saúde que auxiliem os pacientes que sofrem da doença, e o tabu que se estabeleceu em relação aos seus métodos de tratamento. Primeiramente, deve ser destacado o pequeno investimento direcionado a área da saúde que trata transtornos mentais, como a ansiedade e a depressão, que são consideradas as principais doenças do século XXI. Um relatório publicado pela Organização Pan-Americana da Saúde, afirmava que, em média, apenas 2% do orçamento de saúde era destinado à saúde mental, e, dessa porcentagem, cerca de 60% seria atribuído aos hospitais psiquiátricos. O que contraria as recomendações da OPAS e da OMS, que indicam, como opção mais custo-efetiva, o foco em hospitais gerais. Isso facilitaria o acesso aos serviços de acompanhamento e tratamento da doença para mais camadas da sociedade. No entanto, o grande número de pessoas ansiosas sem interferência médica impedem a decaída de sua ocorrência no país.
Outrossim, existe a barreira construída pelo preconceito criado em relação ao tratamento de transtornos mentais, que, geralmente, utilizam remédios prescritos pelo médico. Esse fato se deve pelos estereótipos, e mitos, que afirmam que os medicamentos usados no processo de tratamento ocasionam, inevitavelmente, o vício, a dependência ou o aumento de peso. E, pensando no que foi dito pelo cientista Albert Einstein “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado”, é incontestável a realidade de que será um longo, e complicado, percurso até a quebra deste tabu, que prejudica a vida de mais de 18 milhões de brasileiros ansiosos, de acordo com dados da OMS. Relembrando a frase dita pelo filósofo espanhol, George Santayana, “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”, fica evidente a necessidade de medidas destinadas à mitigação da ansiedade na sociedade contemporânea, e assim não encontrar o Brasil, novamente, classificado como um dos países com maior diagnósticos no mundo. Para isso, é essencial que o Ministério da Saúde aplique mais recursos financeiros nessa área da saúde, que, apesar de ter tido um aumento significante de investimento, ainda não apresentou resultados satisfatórios. Além disso, é importante a criação de campanhas publicitárias que abordem com propriedade sobre tema, procurando conscientizar a nação sobre a importância de discutir sobre transtornos mentais.