Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 08/08/2020
A Organização Mundial da Saúde(OMS) ,em recente pesquisa realizada em 2019, alertou que 9,3% dos brasileiros sofrem algum tipo de ansiedade. O combate à ansiedade no Brasil ainda é um grande desafio e nesse contexto, a fim de atenuar esse grave problema de saúde pública, dois obstáculos devem ser analisados: o preconceito em relação à doença e ao seu tratamento, e as pressões sociais.
Em primeiro plano, é preciso destacar que esse preconceito é reflexo direto do processo de socialização brasileiro e configura um entrave ao combate à ansiedade no Brasil. Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, “Habitus”, é o conjunto de regras, padrões e valores transmitidos no processo de socialização. Nesse sentido, numa sociedade em que a ansiedade não é um assunto abertamente falado em muitas famílias e escolas brasileiras, cria-se uma cultura preconceituosa em relação à gravidade da doença e ao seu tratamento. Prova disso, muitas pessoas optam por não procurar orientação médica , seja pelo receio equivocado sobre os efeitos colaterais dos medicamentos ansiolíticos, seja pela resistência de algumas pessoas em enxergar a ansiedade como uma doença grave. Assim, devido a ausência dessa discussão no “habitus”, esse preconceito se mantêm e o desafio no combate à ansiedade é cada vez mais intensificado na sociedade brasileira.
Além dessa questão do preconceito, outro importante fator que contribui para a manutenção desse quadro problemático é a pressão e cobrança exercida pela sociedade atual que visa desempenho constante. Segundo Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano, em sua obra " Sociedade do cansaço", a sociedade atual é marcada por um cenário em que a produtividade se torna um dever para os indivíduos. Nessa perspectiva, num contexto de pressão social que exige constantemente bom desempenho pessoal, profissional e social dos indivíduos, transtornos psicológicos como “Burnout”, depressão e ansiedade tornam-se cada vez mais frequentes. Dessa forma, essa tentativa de alcançar sucesso de modo ininterrupto sobrecarrega a sociedade e dificulta o combate à ansiedade no país.
Fica claro, portanto, que é necessário combater veementemente essa realidade,a fim de solucionar esse quadro dramático de saúde pública brasileiro. Nessa perspectiva, as escolas, com o objetivo de conscientizar pais e alunos sobre a gravidade da ansiedade, devem informar e explicar sobre a doença e suas formas de tratamento. Isso poderia ser realizado por meio de palestras e debates nas aulas de biologia, além de discutir o tema nas aulas de sociologia, com a participação da família, Conselho Tutelar, Associação de Pais e Mestres e psicólogos. Talvez, assim, por meio da educação, possamos adicionar essa discussão ao “habitus”, diminuindo esses preconceitos, desenvolvendo uma visão mais crítica sobre a pressão dessa sociedade do desempenho.