Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 05/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu Artigo 6º,

o direito a saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática quando observa-se os desafios no combate à ansiedade na sociedade contem -

porânea, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante do exposto, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Inicialmente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o alto índice de

pessoas ansiosas no Brasil. Assim, 18,6 milhões de brasileiros convivem com o transtorno segundo a Organização Mundial da Saúde. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o grande tabu que é falar sobre distúrbios mentais na sociedade atual. Visto que muitas pessoas, por preconceito e desinformação, associam o transtorno de ansiedade à um problema comum. Em razão disto, segundo pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, poderá acontecer a piora do estado clínico de quem sofre com esse problema consoante o desencadeamento de outras patologias tais como, doenças respiratórias e cardiovasculares, artrite e diabetes. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se , portanto, a nessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível

que o Estado brasileiro, mediante o redirecionamento de verbas, realize as mudanças estruturais no sistema de saúde público, afim de garantir o tratamento adequado às pessoas com distúrbios de ansiedade. Além de combater a desinformação e o preconceito através de sessões abertas ao público em geral com profissionais da saúde e com isso promover o esclaremento sobre os sintomas e tratamentos dessa patologia. Assim se consolidará uma sociedade mais calma e com menos preconceitos, além do cumprimento, pelo menos em parte, do “Contrato Social” tal como afirma John Locke.