Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 14/08/2020
A ideia de trabalho tende a remeter a conceitos como o esforço e a meritocracia, tratados vêemen- temente pelo filósofo John Locke (séculos XVII-XVIII), mas, apesar da permanência das abstrações a este tema - com o assentamento gradual decorrente do tempo - a noção de trabalho está, aos poucos, intermediando a conquista e a exaustão. Enquanto mecanismos tecnológicos compõem os grandes auxiliadores do funcionário contemporâneo, são também os principais estimuladores à ansiedade global. Além disso, a constante preocupação com complicações financeiras, no que se refere à instabilidade salarial, corrobora a expansiva obsessão pelo futuro incerto, o fruto de um presente frágil. De acordo com a Catho, a média salarial do brasileiro é de 2340 reais mensais, a precariedade desse valor, no que diz respeito à sustentação de um grupo familiar, é fator corriqueiro de estresse, que leva, entre outras situações, à deterioração da saúde e a distúrbios mentais. Consequente à demanda excessiva do empregado, novos tipos de enfermidades começaram a se propagar, exemplo recorrente é a Síndrome de Burnout, declarada como doença pela OMS (Organização Mundia da Saúde). O distúrbio citado trás como sintomas: fadiga, frustração, depressão e ansiedade, crônicos atualmente, e que são desencadeados, principalmente, pelos processos cada vez mais rápidos no ambiente de trabalho - resultado da maior velocidade proporcionada pelos aparelhos eletrônicos.
Segundo a Universidade Estadual de São Francisco (E.U.A.), usuários assíduos de redes sociais são mais deprimidos e ansiosos. O contato com “figuras de idealização” na internet induz à mentalidade de incapacidade e inquietação, uma vez que o artifício inalcançável (seja por ideais de estética, trabalho, economia etc.) é produto, em sua maioria, de valores aparentes, como beleza e riqueza utópicos. Com isso, fatores de agitação são frequentes e podem levar a atitudes graves, a exemplo, no Japão, foi criado o termo “Hikkimori”, designando o suicídio advindo, entre outras, dessas razões. Portanto, visando a mitigação dos empecilhos a uma sociedade menos atingida pelos impactos oriundos da realidade moderna, é válida a contribuição social através de campanhas virtuais com propostas de substituição dos aparelhos eletrônicos em dias da semana por métodos alternativos de trabalho, como a utilização de anotações em cadernos e post-its. Além disso, corroborar o desenvolvimento de programas públicos financeiros, por parte do Governo Federal, de maneira a promover mais estabilidade e segurança ao trabalhador brasileiro. A ansiedade é considerada popularmente um dos “grandes maus do século”, e também foi discutida por Bernard Shaw, que conclui: “A ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito”.