Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 11/08/2020

Segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV) e a matéria do blog Drauzio Varella, a ansiedade é um transtorno indicado por “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva”. Sendo este generalizado, pode afetar qualquer pessoa e de qualquer idade, todavia, por manifestar-se em dois grupos específicos com mais frequência por diversos motivos, é válido salientá-los.

Há primeira vista, os homens são tidos culturalmente quase como máquinas, que, por sua vez, não precisariam se preocupar com a saúde mental e por isso, esta é propositalmente esquecida. Segundo uma pesquisa feita pela AskMen, em 2015, algumas das respostas dos entrevistados confirmam o estereótipo, em que um homem com ansiedade é visto como fraco pela própria comunidade. Entretanto, essa prática já naturalizada de “aprender a própria dor”, como dito na música Dead Boys, de Sam Fender, é nociva tanto aos próprios indivíduos, como também às pessoas de seu convívio, pois sem o costume da conversa, tornam-se “garotos mortos” incapazes de lidar com os conflitos da vida.

Por outro lado, há de se destacar um outro grupo extremamente afetado pelo distúrbio, o das mulheres. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Cambridge, a ansiedade é duas vezes mais recorrente às pessoas do sexo feminino do que o masculino. E sendo esta informação o foco da reflexão, entende-se como causa para tal, de forma geral, o machismo. Sendo este um problema já estrutural nas sociedades contemporâneas, a ideia de que uma a cada cinco mulheres será estuprada ao longo de sua vida ou o fato de que correspondem a 80% (junto das crianças) das 50 milhões de pessoas em situação de conflito – informações da OMS – evidenciam o porquê da ansiedade como resposta às tensões constantemente vividas.

Portanto, a partir dos dois casos exemplificados, percebe-se que o problema vai muito mais além de um transtorno psiquiátrico em si, mas também de falhas nas sociedades contemporâneas. Daí, seria interessante que filmes, quadrinhos e a cultura pop incentivassem a terapia e apresentassem a ansiedade como o problema de saúde que é, e suas consequências prejudiciais tanto ao indivíduo quanto aos que estão a sua volta, sobretudo às mulheres. Sendo este último um gancho para combater o machismo, é importante também que os pais ou responsáveis ensinem desde a infância suas crianças a não prejudicar outrem. Posto o sexo feminino no mesmo plano que o sexo masculino, a lógica porca do machismo pode cair.