Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 13/08/2020

Na atualidade, a pandemia que se instaurou no mundo moderno vem alterando profundamente a vida das pessoas, além de ter aflorado preocupações antes inexistentes acerca da saúde. Contudo, antes mesmo da crise global de saúde vivida atualmente, a ansiedade já era considerada uma epidemia no Brasil, país eleito pela OMS o mais ansioso do mundo. Desde os primórdios da humanidade, a ansiedade é utilizada como um mecanismo de defesa, embora haja uma grande diferenciação entre estar ansioso e ser ansioso, sendo este estado considerado uma doença. Da mesma maneira que houve um aumento da preocupação com atos preventivos contra o Coronavírus, é evidente a necessidade de medidas profiláticas que amenizem a atual crise de saúde mental no país.

Uma vez que o transtorno de ansiedade tem como uma das causas situações estressantes e eventos traumáticos no dia a dia, é necessário analisar o impacto das condições atuais de uma determinada sociedade no desenvolvimento da doença. De acordo com o pensamento do filósofo Byung-chul Han, o excesso de positividade contemporâneo culmina em uma “sociedade do desempenho”, que causa fadiga física e mental. Além disso, o costume atual da constante comparação e busca por padrões inalcançáveis desencadeiam em um quadro preocupante de distúrbios mentais, com destaque para a ansiedade, tão presente na contemporaneidade.

Ademais, problemas econômicos e sociais também impactam diretamente na saúde mental da população. A exemplo dos índices de desemprego que vem subindo cada vez mais, o número de diagnósticos de ansiedade também aumentará ocasionalmente. As consequências do transtorno de ansiedade podem ter impactos econômicos e sociais, com alta no número de suicídios e do uso de álcool e drogas. Embora seja notável o impacto que essa doença tem, não há o devido investimento no tratamento da mesma. Caso as políticas de saúde mental fossem aprimoradas, 13,5 milhões de vidas poderiam ser salvas, de acordo com a revista The Lancet.

Em virtude dos fatos analisados, é necessário adotar medidas que minimizem os impactos dessa epidemia. Para isso, o Ministério da Saúde deve cumprir sua obrigação de oferecer condições para a promoção da saúde da população, com o devido e imediato investimento no diagnóstico e tratamento do transtorno de ansiedade, visando prevenir possíveis consequências negativas da doença. Em adição, a mídia deve incentivar o fim da supervalorização de padrões, além de abordar as doenças mentais como algo normal, de modo a desconstruir a visão preconceituosa acerca das mesmas. Dessa forma, espera-se que os novos casos de ansiedade diminuam gradativamente e que aqueles já existentes sejam diagnosticados e tratados de forma correta.