Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 13/08/2020

O filme “O Lado bom da Vida”, dirigido pelo cineasta David Russel, retrata a história de Pat Solitano Jr, personagem que perdeu quase tudo na vida devido às crises de ansiedade. Tal obra ficcional, em paralelo à realidade contemporânea, ilustra um dos principais desafios encontrados na sociedade moderna: o combate à ansiedade. Neste sentido, é necessário analisar as causas, tais como a ausência de políticas públicas de saúde de enfrentar o problema e o medo de situações cotidianas e preocupações intensas, tais como dinheiro, saúde ou trabalho, atrapalhando diretamente em relacionamentos, dificultando a atuação profissional.

A princípio, vale salientar que a falta de estratégias estatais no sistema público de saúde voltadas para o atendimento de pessoas que sofrem de ansiedade contribui para a perpetuação desse quadro deletério. A esse respeito, dados fornecidos pelo Ministério da Saúde revelam que apenas 10% dos recursos destinados para as secretarias municipais são direcionados para a área da saúde mental em unidades básicas. Tal cenário nefasto, evidenciado por essas informações, comprova a inoperância governamental no combate ao problema, o que gera consequências nocivas à vida de milhões de brasileiros. Neste sentido, o aumento do número de casos de indivíduos ansiosos colocando o Brasil em primeiro lugar no ranking mundial dos países que mais apresentam essa patologia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em segunda instância, é possível correlacionar o aumento dos casos de ansiedade com a atual Era Contemporânea, em que a constante auto cobrança para seguir um ideal de predileção a ser alcançado, somada ao medo da frustração e da incógnita que é o futuro, acaba por projetar a ansiedade, um transtorno psíquico que, como tal, foge do controle do indivíduo, afetando negativamente suas atividades corriqueiras. Nessa intempérie, surge o paradoxo que é essa desordem: o ansioso passa a lutar contra si mesmo para aniquilar os pensamentos que causam a ansiedade, a fim de poder continuar sua busca em torno desse ideal que o adoece.

Diante do exposto, se conclui que existe uma necessidade do Ministério da Saúde disponibilizar, mensalmente, psicólogos e neurologistas nas escolas e faculdades, a fim de tornar mais acessível o atendimento a quem está mais vulnerável. Somado a isso, as propagandas comerciais na televisão, cumprindo com seu papel social, deverão encorajar as pessoas a procurarem ajuda, desmistificando os tabus acerca do assunto. Dessa forma, tratando das causas e consequências da ansiedade, pode ser que, de fato, o homem seja soberano sobre seu próprio corpo e mente.