Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 13/08/2020

A animação “Divertida Mente”, ilustra de forma lúdica e bem didática como funcionam as emoções. Ao longo do filme, é possível se aventurar pela mente de uma adolescente que além de passar por todos os conflitos dessa etapa, também está encarando mudanças em sua vida pessoal. Tal obra ficcional, em paralelo à realidade hodierna, ilustra um dos principais desafios encontrados na sociedade contemporânea: o combate à ansiedade. Neste sentido, é essencial analisar as causas, tais como a ausência de políticas públicas de saúde de confrontação ao problema e o preconceito social contra pessoas ansiosas, a fim de se abater, com urgência, seus efeitos prejudiciais.

A priori, vale ressaltar que a falta de estratégias governamentais no sistema público de saúde voltadas para a área do bem-estar mental contribui para a perpetuação desse quadro maléfico. Segundo o Ministério da Saúde, apenas 10% dos recursos destinados para as secretarias municipais são direcionados para a área da saúde mental. Neste sentido, o aumento do número de casos de indivíduos ansiosos coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking mundial dos países que mais apresentam essa patologia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), comprovando a ineficácia governamental no combate ao problema.

Outrossim, é válido constatar os efeitos dos estereótipos presentes na sociedade contra pessoas acometidas por essa doença. Nesse contexto, ao analisar a frase do filósofo renascentista Nicolau Maquiavel: “Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios.”, constata-se a dificuldade de se combater os preconceitos já enraizados no contexto social. Essa condição impede a resolução do problema, visto que determinados segmentos da sociedade não cobram seus agentes públicos na garantia de medidas de proteção da saúde dos brasileiros.

Dessa forma, nota-se com clareza a necessidade de desmitificar conceitos errados a respeito das doenças mentais. Em virtude dos fatos mencionados, depreende-se que o Poder Público deve tomar medidas efetivas a fim de cessar os efeitos maléficos provocados pela ansiedade no Brasil. Portanto, cabe ao Governo Federal, em consonância com o Ministério da Saúde, garantir a criação de um programa institucional de combate às crises de ansiedade que acometem boa parte da população brasileira. Esse planejamento deve abranger serviços que necessitam ser previamente esclarecidos para os usuários do SUS, com fito de alertá-los sobre a importância da continuidade desses tratamentos na busca pela cura. Tais medidas têm por finalidade prevenir o crescimento do número de casos de pessoas ansiosas na sociedade e, por conseguinte, impedir a morte de milhões de cidadãos.