Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 15/08/2020
Na obra “O mínimo para viver” produzida por Marti Noxon, relata a falta de esperança e perspectivas de Ellen, uma adolescente que sofre com um distúrbio alimentar sério -anorexia-, e com isso desenvolve a ansiedade e depressão. Apesar de ser uma ficção, tal perspectiva pode ser relacionada aos desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea. Assim, como forma de atenuar essa problemática no Brasil, é essencial analisar seus principais fatores motivadores dentre os quais podem ser citados a falha no ambiente educacional e a negligência governamental.
Em primeiro plano, cabe notar o papel do ensino na formação de indivíduos engajados. Paulo Freire, marcante educador brasileiro, afirma que é papel das instituições escolares a formação de cidadãos críticos e autônomos. Esse pensamento explicita a importância da incorporação de debates nos currículos escolares, a respeito da mobilização social, a qual objetiva o exercimento da postura cidadã, visto que a criação de indivíduos sem esclarecimentos reflete na ausência de conhecimentos sobre a ansiedade, podendo desenvolver a doença e não saber lidar com ela. Dessa forma, contata-se que a ausência da abordagem escolar compromete a construção de um futuro adulto consciente.
Em segundo plano, é essencial analisar a displicência estatal como agravadora dos casos de pessoas com depressão no Brasil. Sob esse viés, Montesquieu, filósofo iluminista, em sua obra “O espírito das leis” constrói um conceito de Estado, em que o governo deveria ser um mero executor das vontades da população. No contexto contemporâneo, em tese, seu modelo foi adotado, porém na prática, o ideal montesquiano não tem reverberado visto as precariedades de campanhas sobre a ansiedade e indisponibilidade de psicólogas pelo SUS. Desse modo, tais precariedades são um empecilho, posto que permeia a passividade popular, que tange ao bem-estar coletivo.
Torna-se evidente, portanto que a falha no âmbito escolar e a negligência estatal são grandes barreiras para a sociedade moderna. A fim de construir futuros adultos mais conscientes e preocupados, o Poder Público, por meio do Ministério da Educação, deverá criar aulas de debate sobre a ansiedade. Isso será feito a partir da reestruturação do currículo didático, a partir do sexto ano do Ensino Fundamental II. Ademais, o Governo Federal, por intermédio da mídia, deverá promover ficções engajadas que abordem a ansiedade de forma crítica, com a finalidade de conscientizar a população que o transtorno de ansiedade é uma doença como qualquer outra. Com isso, será possível idealizar uma futura sociedade em que os casos de indivíduos com transtornos de ansiedades diminuam.