Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 28/10/2020
“O importante não é viver, mas viver bem”. Tal pensamento, do filósofo grego Platão, relaciona-se com uma realidade contemporânea: a ansiedade. Esse mal e a dificuldade em combatê-lo suprimem a possibilidade de se viver bem, tornando-se um desafio. Ao mesmo tempo, sua persistência está relacionada à negligência por parte do Estado em oferecer tratamento acessível, assim como à propagação de uma cultura de preconceito em reconhecer a ansiedade como uma doença que demanda cuidado e tratamento adequado, tornando-a um sério problema social e de saúde pública.
A priori, no Brasil, o acesso a tratamentos contra transtornos dessa natureza não chega à toda população de forma igualitária. Sobre tal fato, o programa de televisão “Profissão Repórter” denunciou em 2019 que, em regiões mais distantes das capitais do país, existe uma carência de profissionais e recursos para tratar pessoas sofrendo de ansiedade. No entanto, consoante a Constituição Federal vigente, a saúde é um direito de todos, cabendo ao Estado garanti-la à toda sociedade. Com isso, nota-se contradições e falhas no sistema de saúde do país, comprometendo a acessibilidade a tratamentos contra esse grave problema e limitando o combate à doença.
Em segundo plano, a resistência por parte da população em admitir e tratar a ansiedade ainda persiste. Nesse contexto, para o sociólogo Friedrich Nietzsche, nos dias atuais, muitas pessoas tendem a adotar uma postura de “moral de rebanho”, sob a qual ela aceitam e reproduzem o que ouvem sem questionar, seguindo ideias sustentadas por uma maioria. Diante desse raciocínio, a propagação do preconceito quanto doenças como a ansiedade reforça sua manutenção e agravamento, criando-se uma sociedade de rebanho, incapaz de evoluir nesse âmbito e minando o bem-estar da população.
Conforme o exposto, é notória a importância em derrubar as barreiras que limitam o combate à ansiedade. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde criar um programa nacional capaz de conscientizar a população sobre a relevância da saúde mental e de tratar e prevenir a ansiedade, por meio de investimentos em campanhas nas mídias sociais, com falas de psicólogos e psiquiatras sobre o assunto. Concomitantemente, o mesmo programa deve destinar verbas para clínicas e postos de saúde públicos visando a contratação de profissionais capazes de suprir a demanda de pacientes com ansiedade. Tais medidas, podem ampliar o entendimento da população quanto à doença, assim como o acesso a tratamentos, possibilitando, assim como o pensamento Platônico, não apenas viver, mas viver bem.