Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/08/2020

No clássico filme “Alphaville”, de Jean-Luc Godard, é visualizada uma distopia de um “mundo perfeito”, mas que possui inúmeras regras, uma delas estava na proibição dos afetos e sentimentos. Fora da ficção, na sociedade contemporânea, essa diretriz pontuada na obra acarreta problemas psíquicos, ao ponto que a afabalidade é uma característica primordial para a mente humana. Decerto, à ansiedade é um dos fenômenos mentais com maior ênfase, no século XXI, logo, os desafios no combate dessa problemática é o tabu com o tratamento e a rapidez das afeições.

É lícito pontuar, de início, que o diagnóstico precoce das doenças psicológicas, sobretudo ansiedade, tende neutralizar os sintomas severos. Pontuado isso, cabe lembrar o filme brasileiro da psiquiatra Nise da Silveira, “Nise- O coração da loucura”, que retratou a história de dor, tortura e desrespeito que os pacientes com transtornos mentais viviam. Dessa forma, a protagonista revolucionou a forma de tratamento e perdura na atualidade. Entretanto, a grande maioria das pessoas tem a visão arcaica dos recursos medicamentosos e terapêuticos, o qual inviabiliza a intervenção médica e a eficácia para minimizar, principalmente, à ansiedade, o mal do século.

Outrossim, com o advento da tecnologia as relações pessoais foram modificadas, tendo em vista o mundo do imediatismo. Análogo a isso, o Futurismo, movimento das vanguardas do século XX, têm como característica a velocidade e movimento, sejam por máquinas ou pessoas. Da mesma maneira, as redes sociais são artifícios que impulsionaram a rapidez dos relacionamentos, pois reduziram as barreiras sociais, contudo, a solidão é uma das consequências dessa celeridade. Com efeito, esse cenário intensifica o distúrbio da ansiedade e, por conseguinte, intensifica a sua perpetuação.

Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas que minimizem o cenário problemático que auxilia na permanência do mal do século. Cabe ao Ministério da Educação, com o auxílio do Ministério da Saúde, implementar nas escolas a disciplina voltada para saúde mental, por meio da colaboração dos psicólogos e psiquiatras para redigirem as temáticas que englobem as doenças mentais, o tratamento adequado e a importância dos afetos longe das redes sociais. Com efeito social, essa medida visa combater a desinformação e desmitificar o tabu que existe sobre as doenças psicológicas. Somente assim, não será preservado as diretrizes impostas em Alphaville e as suas consequências na sociedade contemporânea.