Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 18/08/2020
Desde o surgimento dos primeiros Estados modernos, no século XV, advindos do desenvolvimento do capitalismo mercantil, a acumulação de bens começou a ser uma das principais atividades econômicas. Com a alimentação dos exércitos por possíveis guerras, as bombas atômicas da Segunda Guerra Mundial e o medo do futuro, nasce a ansiedade que, posteriormente, se torna algo comum no cenário mundial. No hodierno momento vivido pela população brasileira, o distúrbio caracterizado pela preocupação excessiva ou expectativa apreensiva tem enfrentado grandes desafios, de uma lado existe a negligência governamental na implantação de medidas para o declínio do problema e, de outro lado, o preconceito social contra pessoas ansiosas.
Primordialmente, a falta de investimentos e estratégias estatais na saúde pública voltados para indivíduos que sofrem com o transtorno mental contribui para a perpetuação do quadro deplorável mencionado. Consoante pesquisas realizadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o país tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo, sendo que 18,6 milhões de brasileiros convivem com o afligimento, tal índice realça o quão importante é a ajuda dentro da área mental voltada para os setores da psicologia e psiquiatria, culminando em uma melhor infraestrutura para com os pacientes.
Ademais, o prejulgamento estereotipado na sociedade vivido pelas pessoas que sofrem com o distúrbio é de extrema preocupação e, consequentemente, o mesmo leva a não aceitação da doença e a privação de tratamento adequado. Nesse contexto, vale analisar a frase de Albert Einstein, físico teórico alemão, na qual diz que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito, o que constata-se a dificuldade da erradicação dos preceitos já arraigados no âmbito social e suas consequências nele, sendo uma delas, o aumento dos casos de ansiedade.
Depreende-se, portanto, que o Estado deve estabelecer medidas efetivas para a coibição dos aspectos negativos provocados pela ansiedade no Brasil. Cabe a Receita Federal investir uma maior parcela dos impostos arrecadados dentro do Sistema Único de Saúde, contratando profissionais da área mental, psicanalistas e psiquiatras, para que assim haja uma eficiência dentro do âmbito público e a população se veja mais acolhida. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) tem que instituir palestras nas escolas, com a ajuda de palestrantes e psicólogos, para que as crianças e adolescentes saibam que a ansiedade tem tratamento e que não é algo vergonhoso, podendo assim desmistificar o preconceito existente na sociedade, alcançando a libertação dos prejulgamentos. Assim, o país impedirá o crescimento do número de casos de pessoas ansiosas e, por conseguinte, evitará a morte de milhões de cidadãos, dando uma melhor qualidade de tratamento e ajuda a eles.