Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 19/08/2020
As revoluções industriais proporcionaram mudanças sociais que culminaram no estabelecimento do estilo de vida contemporâneo, caracterizado primordialmente pela pressa e praticidade. Fatores esses que, ao longo do tempo, acabam por mecanizar a rotina e propiciar distúrbios diversos, como o “burnout” (distúrbio psíquico de caráter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso) e ansiedade (preocupação intensa, excessiva e persistente de situações cotidianas). Apesar de serem problemas recorrentes, o tema saúde mental ainda não é tão abordado quanto deveria, muito disso pela crença de que se deve ter total controle sobre o corpo e mente, sendo tabu o que difere disto.
Inicialmente é válido ressaltar, que a ansiedade, definida por Augusto Cury como “um sofrimento antecipado”, é um sentimento natural, porém quando demasiado este pode vir a se tornar um problema, interferindo assim na vida de quem o possui, levando-o a um sofrimento profundo. Existem fatores diversos que colaboram com o desenvolvimento desta condição, o cenário atual do Brasil por exemplo, que apresenta diversos empecilhos sociais, entre os quais se destaca a violência e o desemprego, os quais justificam o elevado índice de ansiedade constatado pela OMS.
Portanto, infere-se que os distúrbios da ansiedade apesar de serem problemas com relações genéticas, podem ser ocasionados por questões sociais, como a precariedade da segurança pública e o estresse presente no novo modelo de vida da população. Evidencia-se assim, que este problema referido por muitos como “o novo mal do século”, na realidade se trata de uma questão social e não psíquica, configurando a solução deste impasse como complexa, porém necessária.
Portanto, sob esta perspectiva, é preciso que o Governo Federal e o Ministério da Saúde fomentem parcerias com os veículos midiáticos para divulgação da importância da saúde mental, por meio de campanhas informativas e de incentivo, a fim de desmistificar questões acerca desse tema. Além do mais, a valorização do ramo da psicologia e a importância que tem a terapia, infelizmente vista até hoje como algo pejorativo por muitos. Assim, será possível atenuar a problemática e possibilitar que o controle sobre a mente seja visto como algo a ser conquistado e que a busca por ajuda deixe de ser tida como tabu.