Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 19/08/2020

Historicamente, todas as sociedades trataram pessoas mentalmente perturbadas. Cerca de meio milhão de anos atrás, o homem das cavernas fazia cortes no crânio das pessoas para livrá-las de “maus espíritos”. Na atualidade, em um mundo permeado por mudanças frenéticas, sem resposta para suas angústias, muitas pessoas desenvolvem distúrbios de ansiedade. Não são mais “espíritos maus”, mas uma patologia causadora de sofrimento e prejuízo econômico que carece de tratamento.

Em primeiro lugar, o DSM-5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais registra que o “Transtorno de Ansiedade” é muito comum, afetando cerca de 20% da população mundial. Ali é comprovado que o desemprego e a pobreza são fontes primárias da questão. Observe-se que no Brasil, em 2019, o número de desempregados atingiu a cifra de 14 milhões  – e, a OMS (Organização Mundial da Saúde) indicou o país como “o mais ansioso do mundo”. Isso afeta as pessoas e a economia.

Por outro lado, para o psicanalista Sigmund Freud, a ansiedade tem uma base biológica. Segundo ele, as pessoas já nascem propensas à ansiedade; que seria a angústia causada pela incerteza, em relação com qualquer contexto de perigo. Entretanto, a prevenção e a gestão insuficientes das condições sociais estão decretando o sofrimento humano e impondo acentuados encargos econômicos aos países, exigindo a ampliação de políticas sociais mais eficazes.

Por tudo isso, uma abordagem que integre setores como previdência e trabalho podem trazer benefícios tempestivos para a saúde. Isso deve ser iniciado com o Congresso Nacional garantindo o cumprimento da vinculação institucional das receitas da seguridade social junto ao Ministério da Previdência. Este deve oferecer medidas compensatórias de caráter previdenciário aos trabalhadores. Garantir, entre outros direitos, o seguro desemprego, a assistência social e a aposentadoria. Desse modo, minimizando os efeitos deletérios do desamparo social e da pobreza, serão minimizadas a angústia e as demandas de saúde mental.