Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 21/08/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita,na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a ansiedade na sociedade contemporânea apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto das relações sociais superficiais, quanto da negligência estatal . Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeira análise, cabe destacar as relações sociais superficiais como propulsora da problemática. Nesse contexto, de acordo com o  sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que explica a liquidez da modernidade, as interações dos indivíduos com seus semelhantes e o ambiente tornaram-se mais fluidas e menos concretas. Como resultado, a ausência de profundidade no contato interpessoal cria um extremo vazio íntimo e emotivo, tornando mais frequente a assiduidade das psicopatologias.

Outrossim, é importante ressaltar que imbróglio deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam ou minimizem tais recorrências. Nesse sentindo, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável pelo bem-estar da população, entretanto, muitas vezes isso não ocorre. Como consequência, o número de indivíduos que sofrem com algum tipo de transtorno psicológico como a ansiedade, tende a crescer. No Brasil, por exemplo, devido a altos níveis de violência, corrupção e desemprego, o país apresenta o maior número de pessoas ansiosas do mundo segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Infere-se, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para mitigar a problemática. Desse modo, a fim de que essa situação seja revertida, o Executivo Federal, por meio do Ministério da Saúde, deve criar núcleos de atenção psicológica primária, fornecendo profissionais qualificados e estimulando um tratamento baseado na comunicação entre pacientes diagnosticados com quadros semelhantes, favorecendo a desconstrução da ideia de superficialidade de relações. Ademais, é necessário que a população através de protestos pacíficos, exerça o direito à liberdade de expressão, e exija do governo atuações incisivas no que concerne ao aumento do bem-estar social. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do problema, e a coletividade alcançará a Utopia de More.