Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 22/08/2020
“Muitas vezes sinto tremores, cansaço, sensação de falta de ar e meu coração fica acelerado. Além disso, quanto mais penso em me acalmar, pior fico.”. Essa narrativa, exemplifica uma das situações mais frequentes entre os brasileiros, especialmente os jovens. Tal descrição, está diretamente ligada a um dos principais diagnósticos feitos atualmente, pelas equipes de saúde, a ansiedade. Suas causas tem como principais motivos o uso desmedido das tecnologias e a alta taxa de desemprego no país. Infelizmente, a conjuntura resulta em impactos na saúde pública e na economia, portanto faz-se necessária sua discussão a fim de que os desafios no seu combate sejam amenizados.
Contudo, a socióloga Elise Boulding relatou que “se alguém está sem fôlego o tempo todo só de lidar com o presente, não há energia para imaginar o futuro”. Partindo do pressuposto, é possível analisar que os jovens brasileiros vivem afoitamente ligados às redes sociais, visualizando vidas paralelas, de amigos ou parentes que demonstram, continuamente, em um mundo virtual, que são felizes. A partir disso, são gerados inúmeros transtornos, uma vez que diante da realidade perfeita da internet, os adolescentes se sentem incapazes e ansiosos. Ademais, seus rendimentos caem, consideravelmente, trazendo impactos nos trabalhos que exercem. Partindo da circunstância, com o intuito de amenizarem os sintomas, muitos se automedicam.
Paralelo a isso, Aldous Huxley traz em sua obra “Admirável Mundo Novo”, uma sociedade planejada onde os indivíduos estão felizes o tempo inteiro e, caso haja algum traço de tristeza, se medicam com a droga “soma”, fornecida pelo governo, voltando a seu estado de plenitude. Porém, é preciso ter consciência de que o escritor apresenta uma distopia, uma vez que ao estarem sujeitos à grandes concentrações de ansiolíticos, muitos efeitos colaterais podem surgir, como diminuição da concentração, atenção e principalmente, a capacidade de pensar de forma crítica.
Urge, portanto, que o Ministério da Saúde, uma vez que é a pasta responsável por garantir o bem estar social, alerte à população sobre os malefícios que o uso desmedido de celulares e televisões trazem, bem como a automedicação, por meio de campanhas em ambientes escolares, visto que é onde se encontra o principal grupo prejudicado. Com isso, a sociedade contemporânea, repensará seus hábitos e não tentará viver em uma realidade isenta de emoções.