Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 26/08/2020

No livro “O alienista” o doutor Bacamarte tenta compreender as doenças mentais, porém, ironicamente, por causa da sua ignorância e petulância, ele acaba enlouquecendo. Análogo a narrativa, no Brasil contemporâneo, os desafios para combater a ansiedade perpassam por desmitificar o tema, visto que uma parcela da população assume uma postura também ignorante. Dessa forma, é imperiosa a análise de como a instabilidade social e a falta de educação emocional influenciam a questão.

A priori, é indubitável que existe uma pressão social imposta ao indivíduo pelas idealizações nas redes sociais, os quais não condizem com a realidade instável do país. Isso porque, de acordo com Guy Debord, vive-se na sociedade do espetáculo, pois as relações são mediadas pelas imagens. Nesse sentido, gera-se uma expectativa sobre o indivíduo para alcançar essa imagem, porém esta é idealizada e, consequentemente, cria a frustração, que desencadeia a ansiedade. Logo, o Brasil apresenta instabilidades sociais como o aumento do desemprego, que dificulta a realização dessas expectativas, mas a coerção social continua impondo as pessoas que vivam o espetáculo, gerando mais transtornos.

Outrossim, a desinformação cria preconceitos e tabus, dificultando o tratamento das pessoas ansiosas e o seu diagnóstico. Consonante com o pensador Habermas, a ação comunicativa é efetiva para transformar a realidade social, pois fomenta o diálogo. Sob essa ótica, torna-se imprescindível o ensino através da comunicação sobre o transtorno de ansiedade. Entretanto, nas escolas brasileiras não é comum essa educação, o que aumenta a desinformação e acarreta uma cultura, a qual há desvalorização da saúde mental. Dessa maneira, causa problemas como a automedicação, por exemplo, pela falta de informação.

Infere-se, portanto, a necessidade de combater a ansiedade na sociedade moderna. Em razão disso, o Ministério da Saúde em parceria com o da Educação deve promover o esclarecimento e o apoio emocional sobre o tema nas escolas. Isso deve ser feito através de contratação de psicólogos, que irão atuar nas escolas conversando com os alunos e dando palestras sobre como lidar com o emocional em tempos de crises. Além de, realizar consultas individuais e com a família. Assim, espera-se a redução de personagens como Bacamarte e mais pessoas que compreendam a ansiedade sem estigmas.