Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 30/06/2021
Na obra “Utopia “do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, no entanto, diverge da realidade contemporânea, uma vez que o transtorno de ansiedade generalizada entre os adolescentes brasileiros apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Essa realidade, se deve, principalmente, à negligência do apoio familiar e o despreparo social.
Nesse sentido, é preciso considerar a falta de apoio da família, uma vez que esse transtorno pode ser desenvolvido a partir de uma preocupação, esse sentimento pode estar ligado ao medo e insegurança de não conseguir a aprovação familiar. Diante disso, esse fator pode ser ilustrado na obra “Girafa em chamas “do pintor Salvador Dalí, que, embora esteja em chamas, está parada sem qualquer expressão de dor e toda a narrativa traz ênfase para a figura feminina no centro. Fora das telas, os adolescentes que não possuem um suporte familiar partilham do mesmo sentimento da girafa, que, apesar de dar nome a obra não recebe atenção e precisa agir naturalmente. Dessa maneira, a situação do ambiente doméstico que não cultiva uma assistência para os jovens pode ser vista como uma problemática envolta em traços críticos, a qual acarreta o transtorno de ansiedade.
Além disso, apresenta-se relevante também pautar sobre o desconhecimento da sociedade para lidar com essa doença, tendo em vista que muitos sintomas da ansiedade são negligenciados e chamados de frescura. De acordo com Hannah Arendt, em “A banalidade do mal “, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Assim, a filósofa defendia que o comportamento passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado com a questão da ansiedade, que apesar de ser uma patologia que afeta a qualidade de vida do jovem, é pouco discutido em ambientes que contribuem para a formação do indivíduo, como a escola.
Depreende-se, portanto, que é imprescindível uma atitude efetiva do Estado para solucionar a problemática. Para tal, o Governo Federal, superior a todas as Secretarias estaduais e municipais do Brasil, deve criar palestras interativas para esse público e suas famílias, por meio das escolas e profissionais qualificados, com a finalidade de alertar a respeito dos sintomas desse transtorno. Sendo assim, espera-se que essas famílias possam fortalecer seus vínculos e diminuir o risco desse distúrbio entre os jovens.