Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 30/08/2020
A Segunda Geração do Romantismo no Brasil, conhecida como o mal do século, apresentava a angústia e o pessimismo vivenciado pela sociedade da época, ao qual foi inspirado pelo estilo de vida do poeta britânico Lord Byron. Nessa perspectiva, os sentimos retratados nesse período assemelham-se aos transtornos de ansiedade que atingem os jovens brasileiros. Dessa maneira, é possível afirmar que os sentimentos de angústia expressos por esses jovens está diretamente ligado a transição da adolescência para a vida adulta. Além disso, a desigualdade social pode ser considerado um fator que contribui para o aparecimento da ansiedade nos jovens mais pobres.
Em primeiro lugar, o Brasil é o país mais ansioso do mundo, em que 9,3% da população possui algum grau de ansiedade, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste contexto, de acordo com o psicólogo Erick Marangoni os transtornos de ansiedade nos jovens são identificados no estágio da vida em que estes começam a ter contato com novas experiências e responsabilidades da vida cotidiana. Dessa forma, o que pode gerar sentimentos de aflição e angústia ao espectar se terá novas amizades ou se será aceito em lugares e grupos sociais. Porém, ainda conforme o psicólogo, cada caso deve ser individualizado e tratado com cautela, pois é necessário identificar o que é a emoção normal do jovem e o que pode evoluir para um distúrbio mental.
Paralelamente, segundo o epidemiologista britânico Richard Wilkinson confirma uma correlação entre o aumento dos transtornos mentais e as desigualdades sociais. Por esse ângulo, pode-se afirmar que os jovens mais pobres estão mais expostos a adquirirem transtornos de ansiedade associados a vida financeira. Por exemplo, como é retratado no documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, de 2006, em que jovens das classes mais baixas relatam os sentimentos angustiantes sobre as incertezas da vida adulta, sobre as oportunidades no mercado de trabalho ou a faculdade que cursaram. Desse modo, Marangoni explica que essas preocupações podem prejudicar significamente o rendimento escolar e a vida social desses adolescentes.
Portanto, se faz necessário ações de combate ao transtorno de ansiedade que assola a vida dos jovens brasileiros. Primeiramente, as escolas devem promover aos pais e professores reuniões semanais com psicólogos, a fim orientar sobre os males da ansiedade e como a família e os docentes podem ajudar no tratamento dessa doença. Por fim, O Ministério da Educação juntamente com o Ministério da Economia podem articular um pequeno auxilio seja em dinheiro ou seja forma de cestas básicas para os estudantes carentes da rede pública de ensino, com o intuito de amenizar os custos das famílias, além disso, aliviar os sentimentos de preocupação dos jovens com a vida financeira.