Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2020

A série norte-americana, Anne with an E, retrata o cotidiano de uma menina que sofre de ansiedade, o que se percebe pelo seu modo de falar extremamente rápido ao longo de toda a série. Apesar de se tratar de uma obra cinematográfica, esse transtorno sofrido pela protagonista não se restringe ao âmbito ficcional, visto que, o Brasil, ainda hoje, apresenta desafios para combate-lo. Diante disso, deve-se analisar o tabu da sociedade e a desinformação das famílias como pilares da problemática.

De início, cabe ressaltar o preconceito social em relação ao uso de medicamentos para neutralizar os efeitos da doença. Durante a Revolta da Vacina no Brasil, cidadãos se recusaram a tomar a vacina, devido a falta de informação. Sob esse viés, assim como naquele período indivíduos desinformados acerca dos resultados dos medicamentos, se apegam em ideologias passadas e se recusam a tomá-los. Consequentemente, a ansiedade cresce no país e torna-se cada vez mais difícil reverter tal quadro. Logo, medidas precisam ser tomadas para que uma maior circulação de informações ocorra.

Outrossim, é imprescindível destacar o desconhecimento de muitas famílias acerca da gravidade desse transtorno. Segundo Durkheim, sociólogo francês, a família é uma instituição basilar no desenvolvimento dos indivíduos. Nesse contexto, quando não se dá a devida atenção ao que a pessoa está passando, a evolução desta é prejudicada. Desse modo, a ansiedade se torna ainda mais perigosa e pode desencadear em outras doenças, já que na maioria desses casos não foi buscado um acompanhamento médico. Assim, é essencial uma mudança na postura familiar.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de minimizar a forma irrelevante como a ansiedade é tratada no Brasil, fomentada por fatores sociais e familiares. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, por meio de parcerias com os veículos de comunicação, promover ficções engajadas- como novelas e séries- que abordem a temática de forma crítica e orientada, a fim de informar sobre os benefícios do remédio e conscientizar as famílias sobre a gravidade do transtorno. Com isso, o cenário evidenciado na série norte-americana não fará mais parte da realidade brasileira.