Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2020

No terceiro filme do “Homem de Ferro”, personagem da Marvel, o protagonista sofre de crises de ansiedade e ataques de pânico após uma experiência traumatizante. Analogamente, os índices de transtornos psíquicos estão cada vez maiores, devido a diversos desafios que a sociedade contemporânea enfrenta. Dessa forma, é válido analisar como a falta de educação emocional, bem como o difícil acesso ao tratamento psicológico adequado, dificulta a resolução do impasse.

Faz-se necessário pontuar, de início, que o processo educacional referente às doenças mentais é imprescindível para a diminuição dos casos de ansiedade nos dias hodiernos. Isso porque, ao tomar como base o pensamento do filósofo Byung-Chul Han, a partir do qual o número de pessoas com transtornos mentais vem aumentando pelo fato da sociedade moderna cobrar-se demais -ao ponto de ser reconhecida como sociedade do “cansaço”- nota-se que a população, que está obrigatoriamente inserida nesse meio, necessita de orientação emocional. No entanto, essa não é uma realidade no Brasil, já que a maioria das escolas, apesar de serem agentes socializadores, não apresentam tais discussões aos alunos e , assim, fomentam o aumento dos casos de ansiedade nos jovens. Nesse viés, o Instituto de Psiquiatria de São Paulo estima que 10% das crianças e dos adolescentes em idade escolar já sofrem de ansiedade.

Cabe destacar, ainda, que a parcela mais pobre da população não consegue tratamento adequado. Tal questão se deve ao fato de que as consultas particulares com psicólogos apresentam custos elevados, fazendo com que a população necessite de atendimentos públicos. Contudo, as consultas comunitárias não são recorrentes, pois a falta de profissionais especializados em psicologia nos postos de saúde faz com que essa opção não seja viável. Prova disso é que a Secretaria Municipal da saúde da região Sul reconheceu a falta de recursos e explicitou a preocupação com a falta de tratamento à população carente.

Destarte, com o fito de fomentar a saúde mental da população, é mister que o Ministério da Educação, em parceria com o Estatuto da Criança e do Adolescente, inclua na Lei de Diretrizes e Bases uma disciplina denominada “saúde mental” ao ensino fundamental e médio, cujas aulas serão ministradas por meio de psicólogos especializados em educação juvenil. Somado a isso, o Superministério da Economia, que herdou as funções do antigo Ministério do Planejamento, deverá disponibilizar 5% do PIB nacional às Secretarias de Saúde para a contratação de mais psicólogos, os quais atuarão nos postos de saúde. Somente assim, casos como o do Homem de Ferro deixarão de ser recorrentes na sociedade.