Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 24/08/2020
No livro “O holocausto brasileiro”,é retratada a situação de um manicômio na cidade de Barbacena,local onde foi realizada sessões de tortura física nos indivíduos que apresentavam problemas mentais e comportamentos rebeldes em um cenário conservador.Hodiernamente,após anos de mudanças médicas e culturais,fragilidades psíquicas,como a ansiedade,ainda são de difícil combate na sociedade contemporânea,haja vista sua relação com fatores sociais e com a negligência estatal.Nesse sentido,medidas devem ser tomadas com o intuito de solucionar esse impasse.
Em primeiro plano,de acordo com o pensador Zigmunt Bauman,em sua obra “A modernidade líquida”,o avanço dos meios comunicativos,de forma paradoxal,aumentou a distância afetiva entre os homens e elevou sua ignorância e individualidade.Na atualidade,ao levar em consideração esse postulado na análise da ansiedade,nota-se que os indivíduos,além de estarem mais isolados,estão cada vez mais pressionados,seja no ambiente estudantil,seja no ambiente de trabalho,o que configura um gatilho para crises psíquicas.Outrossim,em paralelo com os fatos mencionados,verifica-se uma banalização da sociedade no que se refere à essa problemática,tratando-a como uma doença simples e de baixa periculosidade.Diante dessa máxima,é evidente que motivações sociais impulsionam esse empecilho,o que corrobora a visão de Bauman e contribui para o agravamento de quadros de saúde já instáveis.
Ademais,no contexto da Segunda Guerra Mundial,com a intenção de salvar o máximo de soldados,a medicina recebeu altos investimentos e desenvolveu tecnologias que hoje são indispensáveis.No entanto,embora já existam medicações e tratamentos para indivíduos portadores da ansiedade,a falta de recursos financeiros para catalisar sua abrangência e acessibilidade continua sendo um dos desafios no combate à essa enfermidade.Dessa forma,como resultado da falta de assistência,pessoas que sofrem desse problema acabam se automedicando ou buscando resultados em drogas ilícitas,o que fomenta a criminalidade e os efeitos colaterais adjacentes.Nessa ótica,a defasagem no que se refere ao acesso justo e igualitário a tratamentos médicos reverbera as atuais complicações,em que sistemas de saúde são sobrecarregados e os Direitos Humanos são violados.
Portanto,com o intuito de solucionar esse impasse,os Governos Federais,na figura dos seus Ministérios da Saúde,devem focar no aprimoramento dos seus postos médicos,mediante a elevação das verbas fornecidas tanto para hospitais,quanto para polos de pesquisa,o que tornará o tratamento da ansiedade menos danoso e mais democrático.Por fim,cabe às escolas adotarem um estilo de ensino politizador,por intermédio de aulas críticas e palestras construtivas, o que além de evitar casos de ansiedade, minimizará mentalidades preconceituosas que a fomentam.