Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 25/08/2020

A Revolução Industrial ocorrida no século XIX acarretou diversas mudanças em escala global, dentre elas a rapidez da propagação de informações pelos meios tecnológicos. Sob essa ótica, ainda que tenha trazido muitos benefícios, alguns indivíduos têm desenvolvido patologias psíquicas, como a ansiedade. Isso é produto do descaso por parte das instituições de ensino e da sociedade imediatista que cresce ao longo dos anos.

Em primeiro plano, evidencia-se a ausência da escola na difusão de ensinamentos importantes relacionados à saúde mental. Isso porque o ensino brasileiro se perfaz sob um viés conteudista, no qual o objetivo principal é a aprovação no vestibular. Desse modo, não propaga a importância da saúde mental, além de perpetuar a má condição psíquica, uma vez que a grade curricular é abarrotada de matérias como Matemática e Português, e não sobra tempo para discutir outros assuntos. Segundo o expoente filosófico de Rubem Alves, existem dois tipos de escola: asa e gaiola. Contemporaneamente, observa-se que as instituições no Brasil perpetuam o ensino “gaiola”, nas quais os pensamentos dos alunos são enjaulados, induzidos à fitar apenas notas altas, processo que desencadeia indivíduos ansiosos, com medo do futuro e angústia pela insegurança de decepcionarem os pais.

Outrossim, é notável que a sociedade, cada vez mais imediatista, acastela os episódios de ansiedade entre os indivíduos. Sob essa ótica, com a aceleração do pensamento e da rápida propagação de ideias nas redes sociais vigente em tempos hodiernos, as pessoas encontram-se cada vez mais ansiosas, com crises e abalos psicológicos. Assim, evidencia-se o pensamento de Douglas Rushkoff na obra “Choque do presente: quando tudo acontece agora”, que conceituou a cultura do imediatismo, na qual o passado não existe e o futuro é sempre incerto. Com isso, torna-se cada vez mais difícil combater os danos causados aos indivíduos ansiosos.

Dessarte, é perceptível que a negligência educacional e o corpo social imediatista compactuam com a ansiedade em tempos hodiernos. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura, conceda incentivos fiscais às escolas do país, para que essas instituições promovam rodas de conversas, em parceria com psicólogos, que deverão ser abertas aos pais, com o fito de promover criticidade acerca das patologias do século XXI, de modo que sejam evitadas, e o imediatismo não interfira na pisque individual. Dessa maneira, o quadro de indivíduos ansiosos poderia diminuir, e o male perpetuado com a  Revolução Industrial poderia ser revertido.