Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 09/10/2020
Em meados do século XIX, o sociólogo Émile Durkheim retratou, por meio de seu livro, “O Suicídio”, como as transformações sociais podem impactar nas atitudes e saúde dos indivíduos. Após dois séculos, a obra continua sendo atual no Brasil, o crescente número de doenças mentais e distúrbios, como a ansiedade, afetam de forma incisiva a população. Dessa forma, a falta de incentivos do Estado para a redução do número de casos aliada ao uso exacerbado de redes sociais pela população, colaboram para a perpetuação da anomia vivenciada pela sociedade brasileira.
Constata-se, a princípio, a inobservância governamental e a falta de ações no que tange as doenças psíquicas. Tal fato evidência-se pela lei 13.935, de 2019, que antes de ser aprovada tramitou por 17 anos no congresso, essa dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e sociais nas redes públicas de educação básica. Nesse sentido, a banalização dos transtornos mentais por parte do Estado torna-se nítida, visto que eles não trazem riscos físicos aparentes a curto prazo, o que gera a carência de diligências sobre o tema e, consequentemente, uma população mórbida.
Para mais, em segundo plano, nota-se o crescente número de indivíduos com problemas de funcionalidade mental causados pelo uso excessivo de mídias sociais. De acordo com um levantamento feito pelo IBGE em 2018, sete a cada dez brasileiros estão conectados à rede. Destarte, pelo intuito da criação de redes ser o de facilitar a troca informações pessoais, muitas pessoas comparam seus estilos de vida e conquistas, abrindo espaço para sentimentos como o medo e a incapacidade, grandes aliados da ansiedade. Sob essa perspectiva, comprova-se a fala do filósofo Zygmunt Bauman de que as redes podem ser uma armadilha.
Sabendo disso, portanto, para o efetivo combate a ansiedade no Brasil, é necessário que o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Saúde e da Educação, por meio de acompanhamento em sala de aula nas redes de ensino e divulgação nos principais meios de comunicação, relatem o número crescente de casos e a necessidade de tratamento, além de indicar unidades de saúde e incentivar universidades que prestem serviços de apoio. Ademas, as redes sociais, por meio de incetivos governamentais, deverão exibir os riscos trazidos pela troca e má interpretação de informações pessoais e o tempo de uso diário, redirecionando os usuários à canais de ajuda, a fim de tratar os casos existentes, evitar os futuros e acabar com o estado de anomia.