Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 30/08/2020

Byung-Chul Han, filósofo coreano, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, afirma que a contemporaneidade caracteriza-se pela busca frenética da alta performance, o que impacta na saúde mental dos indivíduos. Nesse contexto de autocobrança, observa-se o crescimento da ansiedade no Brasil, reflexo da desorientação emocional da sociedade, em especial entre os jovens, bem como do tabu social sobre tal transtorno. Essa conjuntura traz consequências na saúde e na produtividade das pessoas, tornando-se um desafio.

Diante disso, é indubitável que a escassez de espaços de diálogo, nas escolas, quanto aos malefícios da autocobrança esteja entre as causas desse preocupante realidade nacional. Segundo Anísio Teixeira, educador brasileiro, a escola é responsável pela mudança de atitudes. Nessa perspectiva, o não debate, nas instituições de ensino, sobre os impactos do hábito contemporâneo de buscar excessivamente por desempenhos de excelência, principalmente entre os adolescentes, contribui para a desorientação da sociedade brasileira para lidar com as situações de estresse impostas pela vida, gerando ansiedade. Exemplo disso é o vestibular, no qual os discentes, frequentemente pouco orientados, adotam hábitos insalubres, como a privação de sono para elevar as notas, o que gera insônia e taquicardia.

Esse quadro é agravado pelo tabu social quanto à ansiedade enquanto doença. Michel Foucault, sociólogo francês, em seu livro “A História da Loucura”, revela que os transtornos mentais foram negligenciados e os “loucos” excluídos do convívio social ao longo da história. Hodiernamente, no Brasil, a cosmovisão da população de “frescura” atribuída à ansiedade amplia o alijamento social desses doentes, como exposto pelo sociólogo. Essa inaceitável realidade também dificulta o tratamento desse agravo, pois o preconceito leva a não aceitação da doença pelos doentes que acabam não buscando tratamento.

Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que combatam a ansiedade no país. Destarte, o Ministério da Educação e o da Saúde devem elevar o número de espaços de diálogo sobre a cultura de autoperformance contemporânea nas escolas, por meio de rodas de conversas e de oficinas com sociólogos e com profissionais de saúde promovidas por uma campanha nacional de enfrentamento da ansiedade,  a fim de orientar emocionalmente a juventude, preparando-os melhor para os estresses da vida. Por fim, a sociedade civil organizada deve, mediante campanhas publicitárias, esclarecer a população quanto ao caráter de saúde da ansiedade, reduzindo o seu tabu social.