Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2020
“As sociedades modernas se tornaram grandes hospitais psiquiátricos onde o normal é ser doente" – conforme o pensamento do psiquiatra Augusto Cury, que muito bem se aplica à realidade da sociedade brasileira no âmbito da saúde mental, uma vez que enfrenta grandes desafios no combate ao grande mal do século XXI: ansiedade. Instabilidade financeira, consumismo desenfreado e a liquidez das relações sociais fazem com que o Brasil, segundo a OMS, seja o país com os maiores índices de ansiedade do mundo. Logo, faz-se necessário uma reestruturação educacional nos âmbitos financeiro e de saúde pública.
Nesse contexto, os países emergentes – em sua grande maioria – ocupam as piores posições no ranking de educação de finanças, gastos e investimentos. Analogamente, os países sub desenvolvidos são os líderes em índices de ansiedade, segundo dados da OMS. Desse modo, as populações que mais gastam e se endividam são as que mais sofrem com o mal da ansiedade, revelando que, quanto mais instável financeiramente uma determinada população for, mais ansiosa ela será. A exemplo disso, o Brasil tem 46% de sua população endividada no SPC, enquanto, paralelamente a isso, é o país mais ansioso do mundo, com um índice de 9,6%. Dessa maneira, a falta de informação e gestão financeira correta fazem com que a sociedade brasileira passe por uma crise silenciosa de saúde pública. Ademais, segundo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da ’’ modernidade líquida’’, vivenciada durante o século XX e que se estende ao século XXI. Tal leitura social aponta o homem pós-moderno como alguém sem certezas, sem raízes e sem identidade, o que leva a ansiedade e, consequentemente, ao suicídio – conforme o estudo da Associação Brasileira de Psiquiatria. Desse modo, como um meio de fuga da realidade, aceitação social e enquadramento em grupos identitários, as pessoas projetam o sentido de suas vidas em momentos, trabalhos e “status” por possuir bens materiais. Por conseguinte, a oscilação constante entre a ânsia de ter e o tédio de possuir é a marca de uma sociedade ansiosa, que reduziu o ser para ter.
Portanto, a fim de solucionar tais problemas, o Ministério da Saúde, junto ao Ministério da Educação, deve promover e fomentar a cultura da educação emocional e financeira desde a infância nas escolas, por meio da criação e obrigatoriedade de ensino de das matérias de educação finanças e gestão emocional, capacitando os professores (com palestras, seminários e capacitações externas com especialistas nas áreas), além instigar os alunos a serem empáticos, amar os momentos de simplicidade e não projetarem sua felicidade em bens materiais, para que, dessa forma, a sociedade brasileira venha a ser um lugar de mentes livres do mal da ansiedade.