Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2020

O filósofo Arthur Schopenhauer defendia a tese de que administrar a independência interior era a única forma de viver de modo mais satisfatório. No entanto, o transtorno de ansiedade reduz de forma significativa a capacidade de gerenciamento e de autonomia e leva o indivíduo a um constante estado de apreensão. Dessa forma, fatores como instabilidade social e a ausência de entendimento sobre esse problema psicológico desafiam a luta contra essa doença tão grave.

Em primeiro lugar, nota-se que períodos de crises sociais muitas vezes são o estopim para que o transtorno ansioso seja desencadeado. Isso acontece porque os níveis de estresse e de alerta, que tendem a ficar equilibrados em situações normais, são rapidamente elevados nesses eventos. Isso pode ser comprovado ao analisar o cenário político que ocasionou a  Primavera Árabe, movimento em que milhares de pessoas exigiam a deposição de ditadores. Nesse contexto, um jovem tunisiano, abalado pela situação em que a nação estava e impedido de exercer a profissão de ambulante pelas autoridades governamentais, passou por uma forte crise de ansiedade, segundo relatado pelo jornal O Globo, e ateou fogo ao próprio corpo. Dessa forma, é evidente que ocasiões de alta carga emocional  como essa podem gerar problemas graves na saúde mental das pessoas.

Além disso, a falta de conhecimento acerca dessa desordem é um agravante do dilema. Esse entendimento é tão importante que o Brasil prevê em sua Base Nacional Comum Curricular, por exemplo, atividades que ajudem no desenvolvimento dos componentes socioemocionais de crianças e jovens em idade escolar. Dessa forma, eles não somente reduzem a chance de desenvolverem ansiedade como também são capazes de identificar se possuem sintomas de quaisquer distúrbios psicológicos. Portanto, é evidente a importância de promover o conhecimento sobre essa temática.

Posto isso, é de vital necessidade solucionar essa problemática. Primeiramente, é preciso que a Organização Mundial da Saúde envie para todos o países protocolos de como agir corretamente nos cuidados relativos à saúde mental, em situações sociais conturbadas, como revoltas e guerras, por meio da ampliação dos serviços de atendimentos psicológicos e psiquiátricos presenciais e virtuais. Ademais, cabe à Organização das Nações Unidas instruir as escolas e os centros educacionais para que eles incluam no currículo a temática da saúde mental, por meio de rodas de conversa, palestras e da exibição de filmes. Tudo isso a fim de que os obstáculos no enfrentamento da ansiedade sejam minimizados e de que ela prejudique menos a sociedade contemporânea.