Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 03/09/2020

“A pior parte de ter um transtorno mental é ter que agir como se não o tivesse”. Essa frase do Coringa retrata a realidade dos indivíduos que convivem com doenças mentais e com o preconceito daqueles que não possuem empatia. No que se refere à ansiedade, esconder seus sintomas não é uma tarefa fácil, desde falta de ar até crises ansiosas marcam o transtorno. Nesse sentido, os desafios no combate à ansiedade estão relacionados ao estigma da doença e ao atual regime da sociedade contemporânea.

Em uma primeira perspectiva, sob a ótica social, a discussão sobre a ansiedade não recebe seu devido valor, uma vez que existe um tabu por trás das doenças mentais e uma tentativa de invalidar o sentimento de outras pessoas. Nesse cenário, o ansioso patológico fica com medo de buscar tratamento e de compartilhar com as pessoas próximas suas emoções, o que agrava seu quadro psíquico. Diante disso, ao se levar em consideração que segundo a OMS ( Organização Mundial da Saúde) cerca de 9,3% dos brasileiros sofrem com o problema, fica evidente que a secundarização da pauta na contemporaneidade contribui para o agravamento e perpetuação do aumento dos casos do transtorno. Logo, o medo aliado ao estigma social contribuem para o desafio de superar a problemática.

Ademais, vale salientar que a dinâmica capitalista contribui para a aceleração do modo de vida das pessoas. Nessa conjuntura, o fluxo contínuo de atividades e agitação social contribuem para a elevação dos sintomas de ansiedade e gera um ciclo vicioso de busca por padrões de vida inalcançáveis dentro da lógica de produção do capitalismo. Schopenhauer, nesse sentido, afirmava que as pessoas são movidas por vontades incessantes que causam um estado de constante angústia e infelicidade ao não satisfazerem as demandas individuais. Dessa forma, a relação das pessoas com a sua vida facilita a instalação de problemas relacionados à ansiedade e surge como outro empecilho para o problema na contemporaneidade.

Torna-se evidente, portanto, que os desafios para combater a ansiedade na atualidade estão relacionadas à falta de comunicação e o padrão de vida das pessoas. Para reverter esse quadro, é preciso que a OMS -Organização Mundial da Saúde- faça, em parceria com os Governos locais, a implantação de uma campanha que vise conscientizar a população acerca dos sintomas da ansiedade. Por meio da oferta de terapia com preços acessíveis e palestras mediada por psicólogos que ensinem a importância de um estilo de vida saudável e do diálogo sobre o transtorno com os familiares e amigos para se sentirem acolhidos. Dessa maneira, espera-se que a conversa sobre a ansiedade deixe de ser um tabu e as pessoas que sofrem do transtorno não precisem agir como se não tivessem a doença, tal como o Coringa.