Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 23/09/2020

’’ Todo homem é filho do seu tempo.’’ Essa afirmação de Hegel pode ser interpretada como um símbolo do paradigma atual de combate à ansiedade. Essa relação deve-se ao fato que a sociedade tecnocapitalista em crise leva o ser humano ao ápice de seu estresse. Assim, dois fatores se destacam nessa conjuntura, o sufocamento do indivíduo pelo excesso de informações e a falta de segurança em relação ao futuro.

Dessa forma, a avalanche de notícias e circunstâncias que as pessoas lidam diariamente, somada ao cenário caótico mundial capitalista cristalizam um quadro de avanço da ansiedade. Visto que muitas pessoas sentem-se subjugadas às suas informações e condições recebidas, sentindo-se assim impotentes e desenvolvendo ansiedade clínica. Situação parecida com a apresentada na peça ’’ Dias felizes’’ de Samuel Becket, a qual é apresentada uma personagem soterrada numa montanha de lama e que conversa naturalmente com a platéia. Metáfora trágica de como o cotidiano pode te sufocar e passar o sentimento de incapacidade de reagir à sua vida, como a ansiedade.

Além disso, a ausência de uma visão positiva para o futuro, juntamente com a crise mundial alicerça um aprofundamento da ansiedade na sociedade. Assim, a falta de esperança de que dias melhores virão constrói um imaginário coletivo de que a vida é a condição de se esperar por algo que nunca chega, afogando o indivíduo em ansiedade, nunca vivendo o presente. Essa situação se assemelha à outra peça de Becket ‘‘Esperando por Godot’’, na qual dois personagens aguardam por Godot e ele nunca chega. Representação simbólica do que vive a população, sempre à espera de um momento melhor, nunca satisfeita com o presente.

Portanto, é indubitável que as dificuldades do combate à ansiedade na sociedade são alicerçada por uma intermitente crise da sociedade capitalista tecnológica. Desse mode, urge a necessidade do Governo Federal criar um projeto de aceleração do índice de desenvolvimento humano, o qual aumentaria os investimentos em serviços básicos aos cidadãos como educação, saúde e transporte, tais investimentos seriam pagos por um novo imposto a ser votado no congresso, taxando grandes fortunas, com finalidade de uma maior distribuição de renda e aumento na qualidade de vida da população. Assim, construiria-se um ‘‘Tempo’’ que teria filhos menos ansiosos e sufocados pela modernidade.