Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 13/09/2020

Vive-se, hoje, uma acirrada corrida social, na qual competem, entre si, todos os membros da sociedade. Tal disputa possui um ponto de chegada, que está diretamente vinculado à imagem de um dito sucesso. Esse fenômeno de busca coletiva traz consigo uma imensa gama de efeitos colaterais, que sufocam uma parcela gigantesca da população: um desses efeitos é a ansiedade.

Segundo a organização mundial da saúde, o Brasil é o país com maior número de pessoas ansiosas do mundo. Esses dados revelam uma realidade não só preocupante, como emergente. O psiquiatra Daniel Martins de Barros, em uma matéria para o site uol, alerta: “A gente tem muita resistência porque existem muitos mitos: ficar viciado, bobo, impotente, engordar.” Essa fala revela um conjunto de preconceitos enfrentados pelas pessoas que sofrem de ansiedade, o que corrobora a tese de que a ansiedade não é encarada da forma que deveria pela população em geral.

Noutra ótica, o historiador brasileiro Leandro Karnal alerta para os perigos do excesso de medicação do comportamento humano: “Se o aluno não consegue acompanhar as aulas, dão remédio para ele. Nem todo mundo que não presta atenção tem déficit de atenção. A aula pode ser chata mesmo.” Rosely Sayão, consultora de educação, reforça a ideia: “Nós vivemos à base de diagnósticos e, quando fazemos isso, apagamos a pessoa que está por trás dele.” Constata-se, por consequência, uma igualmente preocupante falha de abordagem ao problema pelo lado profissional, o que pode gerar graves problemas a saúde pública.

Cria-se, então, a necessidade de se elaborar novos mecanismos sociais que possibilitem a ampliação do atendimento a pessoas com ansiedade e demais problemas psicológicos. Portanto, compete ao ministério da saúde investir em áreas de atendimento a essas pessoas, ampliando a destinação de verba em prol do atendimento à pessoa com distúrbios psicológicos, especialmente a ansiedade. Desta forma, o número de cidadãos sofrendo deste mal e que não recebe atendimento será reduzido em larga escala a longo prazo.