Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 28/09/2020

Na obra “Sociedade do Cansaço”, o filósofo Byung-Chul Han defende a tese de que, no mundo contemporâneo, o desempenho e o imediatismo são priorizados em detrimento das questões de saúde mental. Nesse sentido, é irrefutável o fato de que a ansiedade excessiva é um dos distúrbios psicológicos que mais afetam negativamente a sociedade brasileira, devido, principalmente, à banalização da saúde mental preventiva pelo Estado e às crises socioeconômicas enfrentadas na pós-modernidade. Assim, urge o esforço conjunto da sociedade civil e do governo a fim de mitigar a expressividade desse transtorno.

Em primeira análise, é evidente a banalização da saúde mental no Brasil em razão do baixo investimento de recursos em ações e programas direcionados à medicina preventiva, o que, consequentemente, permite o desconhecimento dos sintomas de transtorno de ansiedade pela população. Mesmo diante desse cenário, o governo federal brasileiro, por meio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), pretende reduzir, consideravelmente, o orçamento da saúde no ano de 2021. Assim, esse entrave promoverá a precarização do atendimento psicológico na maior do território nacional, bem como o favorecimento da automedicação, principalmente, entre jovens.

Ademais, as crises socioeconômicas prolongadas enfrentadas pela sociedade brasileira nos últimos anos, dentre elas a da pandemia da Covid-19, potencializaram os sintomas de ansiedade devido às incertezas vivenciadas no país. Isso é corroborado pelo pensamento de anomia do sociólogo Émile Durkheim, o qual defende que numa sociedade com normas sociais desconexas o aumento da ansiedade é prevalecido. Logo, evidencia-se que esse obstáculo social pode favorecer o surgimento de doenças graves como, por exemplo, depressão e/ou comportamentos suicidas, ações frequentes na “Sociedade do Cansaço” de Byung-Chul Han.

Portanto, a fim de reduzir os transtornos de ansiedade na sociedade contemporânea brasileira, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com instituições de ensino superior, desenvolva um programa nacional de prevenção de transtornos mentais. Essa política de saúde pública deve ser desenvolvida por meio de propagandas audiovisuais, tanto impressas quanto digitais, nas quais sejam inseridos quais procedimentos devem ser adotados pela população para o enfrentamento da ansiedade excessiva. Após o primeiro ano de implementação, as secretaria de sáude estaduais devem realizar um estudo da efetividade dessa politica para que sejam feitos ajustes necessários para a obtenção dos resultados desejados.