Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 15/09/2020

A evolução do ser-humano, da ansiedade e das tecnologias

A ansiedade está presente na evolução humana, pois é um fator protetivo para possíveis ameaças e, se relaciona diretamente ao sistema nervoso autônomo, induzindo respostas de fuga e/ou luta, além de estar associada com as emoções, via sistema límbico. No mundo contemporâneo muitas pessoas possuem uma ansiedade exacerbada, que desencadeia transtornos psicológicos e gera prejuízos em diversas áreas - principalmente a social -, sendo intensificados, sobretudo, em decorrência do uso indiscriminado dos meios tecnológicos e do alto volume de informações, o que demanda um estado constante de alerta.

Apesar da ansiedade ser, em primeira análise, um mecanismo biológico de defesa, em excesso ocasiona diversos transtornos. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V), as diversas psicopatologias relacionadas são caracterizadas quando há medo e ansiedade excessivas e/ou persistentes, causando algum prejuízo comportamental. Esses danos estão diretamente relacionados com esquiva de locais e situações sociais (como ocorre nos casos de transtorno de ansiedade social e transtorno do pânico), podendo assim, levar o indivíduo a se isolar socialmente, restringindo cada vez mais seu círculo social e pessoas de seu convívio direto.

Todavia, atualmente há recursos tecnológicos para que, mesmo sem outros ao redor, a pessoa não se sinta sozinha, como ocorre com o uso das redes sociais. De acordo com a BBC, em 2019 o Brasil foi um dos países que mais utilizou as redes sociais, por outro lado, a Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou no mesmo ano que o Brasil lidera o ranking da ansiedade no mundo. Isso evidencia uma possível relação entre ambas, visto que, a tendência atual do brasileiro é passar cada vez mais tempo conectado, absorvendo um maior volume de informações, o que leva o cérebro a interpretar a necessidade de vigília constante, pois o perigo é iminente, aumentando os níveis de ansiedade, o que pode levar a uma restrição social em decorrência dos transtornos ansiosos, que desencadeia um ciclo.       Destarte, considera-se que tal problema é questão de saúde pública, por isso o Ministério da Saúde deve intervir, evitando o aumento da incidencia de tais transtornos. Para tal, deve promover campanhas voltadas para o público em geral, por meio dos meios de comunicação (como tv e internet, por serem altamente difundidos) e de cartazes nas unidades básicas de saúde (UBS), que tenham como objetivo informar a população, com linguagem clara e simples, os principais sintomas da ansiedade exacerbada, além de orientar a procurar o departamento de saúde mental da região ou a UBS em caso de sofrimento psicológico, para que a pessoa possa ser acompanhada por profissionais especializados.