Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 16/09/2020

O sociólogo polonês  Zygmunt Bauman, assíduo investigador da pós-modernidade, afirmou que “de modo geral as relações humanas não são mais espaços de certezas, tranquilidade e conforto, mas transformaram-se em uma fonte produtiva de ansiedade”. Como reflexo disso observa-se na sociedade contemporânea um crescimento nos casos de ansiedade, sobretudo no Brasil que, segundo a OMS, ocupa o primeiro lugar nesse quesito. Dado o exposto, cabe analisar de que maneira as redes sociais e o sistema de ensino brasileiro contribuem para a manutenção desse inconcebível posto assumido pelo país.

Primeiramente, cabe analisar a falsa sensação de perfeição que as redes sociais transmitem. Como prova disso, uma pesquisa realizada pela ONG internacional “Guirlguiding”, em 2017, com mais de mil meninas entre 11 e 21 anos, aponta que uma em cada três garotas têm o hábito de contrastar suas vidas com a de outras pessoas por meio das redes sociais. Tal fato faz com que meninas e meninos, ainda tão jovens, se cobrem por não terem as supostas “vidas perfeitas”, tão apreciadas na internet, o que gera adolescentes ansiosos e infelizes. Logo, tal conjectura midiática deve ser superada.

Ademais, outro fator que impulsiona a disfunção em pauta, são as incertezas impostas pelo regime educacional implantado no país. Uma vez que, tal modelo de ensino prima pela fixação rápida do conhecimento em detrimento do desenvolvimento ou aperfeiçoamento de habilidades comuns aos  interesses dos estudantes. Esse fator vai contra os ideais do filósofo francês Michael Montaigne, em suas palavras “cuidamos apenas de encher a memória, e deixamos vazios o entendimento e a consciência. Dessa maneira, os alunos tem uma falsa impressão que são tolos, quando na realidade têm características excepcionais que não estão sendo aperfeiçoadas. Assim, há o bloqueio de perspectiva que contribui para o desenvolvimento de transtornos psicológicos.

Portanto, a fim de minimizar os reflexos nocivos da ansiedade na sociedade brasileira, cabe ao Ministério da Educação impôr esforços para mudar o modelo de ensino. Isto se dará por meio da implementação do ensino integral, e com a liberdade de o estudante escolher as áreas do conhecimento que mais se encaixam com o seu perfil, bem como a orientação com psicólogos com o objetivo de orientar os estudantes quanto a seus reais interesses. Por conseguinte, as decisões a respeito do caminho a ser traçado serão menos penosas para os jovens em fase de escolhas. Ademais, as grandes empresas de tecnologia de comunicação devem orientar seus blogueiros sobre o impacto que suas imagens causam na vida de seus seguidores.  Com efeito, eles passarão a transparecer uma maior verdade no que transmitem, diminuindo as frustrações de quem os acompanham.