Os desafios no combate à ansiedade na sociedade contemporânea

Enviada em 17/09/2020

“O mundo vai girando cada vez mais veloz, a gente espera do mundo e o mundo espera de nós”. Nesse viés, baseado no trecho da canção de Lenine, pode-se inferir que a ansiedade é fruto, muitas vezes, de expectativas criadas ou impostas, baseando-se na necessidade de atender a padrões sociais vigentes, causando uma percepção de inutilidade, desespero e instabilidade no indivíduo.

Segundo Arthur Schopenhauer, a sociedade contemporânea é movida por meio da criação e satisfação de desejos e interesses, que quando não atendidos, geram frustração. Dessa forma, com o advento das redes sociais, têm-se a idealização da vida no meio virtual, na qual todo mundo é plenamente “feliz”. Por conseguinte, esta é uma das principais causas de ansiedade, visto que, há a distorção da realidade, na qual o indivíduo se sente inferiorizado por não atender a tais expectativas. Outrossim, o preconceito e o descaso diante do indivíduo ansioso, na qual, muitas vezes, a ansiedade é vista como frescura ou passageira, dificulta o tratamento e posterior controle da doença.

Nesse viés, a utilização de medicamentos é eficaz no tratamento desse transtorno. Todavia, o uso desmedido e sem orientação profissional pode gerar dependência  e prejudicar  o tratamento do indivíduo. Ademais, segundo Michel Foucalt, tem-se a imposição de uma normalidade por meio das instituições sociais, na qual estas visam a padronização dos indivíduos. Assim, a imposição  de atender requisitos em um tempo determinado - como ser bem sucedido, ter um relacionamento, se formar na faculdade - como pressupostos indispensáveis a felicidade, promove nos indivíduos a sensação de fracasso e estresse e, muitas vezes, evoluindo para quadros de ansiedade.

Em suma, é imprescindível a atuação no Ministério da Saúde em investimentos nos tratamentos de ansiedade, por meio da contratação de profissionais capacitados, facilitação do acesso a população e o incetivo a busca por atendimentos psicológicos e formas alternativas de administrar esse transtorno, como caminhada, yoga, dentre outros. Dessa forma, o indivíduo receberia a devida assistência, facilitando o processo de tratamento e aumentando as chances de recuperação.